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18:30
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Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
As coisas não vão bem no reino dos Ayatolas, os altos sacerdotes da seita xiita que são o poder no Irã. O presidente iraniano, que deve absoluta obediência aos sacerdotes, e cuja reeleição continua sendo considerada uma “pizza” por grande parte de seu povo, teve de demitir um de seus vice-presidentes e quatro ministros por ordens superiores. Não conseguiu segurar nem o vice, que é sogro de seu filho.
O presidente iraniano ainda tenta acalmar o País cujo povo está, inclusive, muito infeliz com a inflação. Os dirigentes teriam sido afastados “por não conhecerem bastante o Shaaria" ou optarem por ignorar certos pontos da lei canônica, que é a lei do estado islâmico.
A mídia internacional em Teerã está proibida de ver e ouvir o que acontece e fala o povo. Sabe-se das pouco das coisas e por fontes externas.
O Irã centraliza as preocupações internacionais e israelenses. Quando democracias do tipo na qual o individuo tem total liberdade de concordar com o governo, e é muito restrita além disso, entra em crise, tende a procurar soluções fora das fronteiras. O Irã precisa de um grande feito. A questão é de se prever qual será.
Neste domingo, chegou à região o primeiro de um número de altas autoridades americanas. George Mitchell, ex-senador, enviado de Obama para o conflito israelense-palestino, veio direto de Damasco, capital da Síria, a Jerusalém.
Veio de Damasco, onde deu mais um passo para normalizar as relações americanas com os sírios. E, depois de longa conversa com o presidente Assad, com a afirmação de que acreditava que em sua próxima visita poderia anunciar a retomada de negociações de paz diretas entre Israel e Síria, recebera de Obama a missão de promover a paz também com o Líbano e palestinos e, no final, a normalização das relações do mundo árabe e Israel.
Mitchell acredita isso ser possível e viável. Ele sai e chega o secretario da Defesa Gates para a missão do Conselho de Segurança Nacional americano, CIA e etc. A explicação está num recado de Obama a Israel para que continue a acreditar na solução politica-diplomática da questão do Irã. Mas o nível dos que estão chegando leva a acreditar que o pedido de Obama será seguido de medidas concretas americanas para sustentar a fé de Israel.
Especular é primário pois, seja o que for decidido, será preservado em segredo. Os americanos vêm repetindo a Israel que as relações entre ambos os países são intimas e inquebráveis. Há o receio de Israel agir sozinho contra o Irã.
O mais interessante e significativo no contexto foi a nova declaração de Hillary, secretaria de Estado dos EUA. Ela afirmou com todas as letras que os EUA não permitirão que o Irã se transforme em uma potência nuclear em hipótese alguma, procurando desfazer a impressão deixada em seu pronunciamento anterior.
Ela anunciara que os EUA estenderiam um guarda-chuva de proteção aos seus países amigos deixando a impressão que já se haviam conformado com a idéia de que o Irã seria uma potencia nuclear, o que teve a mais negativa reação dos “amigos”.
Mas é importante observar a linguagem corporal dos políticos, pois sempre dão significado ao que dizem. Depois de mandar novo recado ao Irã, ela parou, respirou e afirmou que não estava dizendo que não haveria o guarda-chuva e que não desistira de tentar a tática do dialogo e dos meios não militares para castrar os desejos iranianos. Deve ter levado uma chamada do chefe.
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