05/07 -
19:05
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Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Existem as ditas e as feitas. Hoje duas ditas tiveram o maior destaque. Biden, o vice-presidente Americano que anda pelo Oriente Médio, disse a uma cadeia americana de rádio e televisão que Israel não precisa consultar a Casa Branca antes de agir em relação à questão do Irã estar construindo sua bomba. “Cada país resolve de acordo com os seus interesses”. É o mesmo que dizer nem sim nem não, pois dificilmente Israel tomará iniciativa sem saber se pode contar com apoio. E Benjamim “Bibi” Netanyahu, chefe do governo israelense, finalmente declarou que apóia a hipótese de dois países, a de um Estado palestino ao lado de Israel. Anunciou ter conseguido consenso sobre o seu plano de um Estado palestino desmilitarizado reconhecendo Israel como Estado judeu.
Mas foi consenso nacional. O feito pode acontecer amanhã em Londres quando o Ministro da Defesa, Ehud Barak, terá novo encontro com Mitchell, o enviado especial de Obama ao conflito. Vão discutir a questão dos assentamentos israelenses em terras palestinas. Obama quer Israel suspendendo toda e qualquer expansão de suas colônias. Israel se diz autorizado desde 2003, tempos de Bush, para expandir e atender o crescimento natural da população. O atual governo americano afirma que não tem registro algum de tal concordância.
Os palestinos declaram que só retomam as negociações se nem um só novo quarto seja construído. Se o israelense Barak e o enviado do Barack americano concordarem, haverá o feito. Mas é mais provável o entendimento de Obama com o presidente russo no encontro que estarão mantendo em Moscou.
A Organização Islâmica congrega 56 países com a mesma fé. A Liga dos Países Árabes reúne 22 países do Oriente Médio e África do Norte. O mundo árabe reconhecerá e estabelecerá relações normais com um Estado de Israel multicultural, um Estado como qualquer outro, mas não como um Estado judeu. Há um mundo de diferença. Um Estado como qualquer outro terá de concordar com o retorno de um número ainda não especificado de refugiados palestinos ou descendentes.
No cálculo israelense os árabes israelenses serão a maioria em poucos anos com o que, pelo voto, serão o poder predominante. Poderão mudar as leis inclusive a lei do retorno que assegura a livre imigração e cidadania a qualquer judeu que deseje ser israelense. Será o fim de Israel como o país dos judeus. Para os judeus israelenses trata-se de questão mais fundamental do que o traçado final de suas fronteiras. Os refugiados, a partir do primeiro a deixar sua aldeia ou terras na proclamação do Estado de Israel, em 1948, são mantidos com tal qualidade há 61 anos. Eram provas vivas do que se considera o Nakba, a tragédia. Assimilados e aceitos como cidadãos nos países onde se refugiaram acabaria o motivo para a resistência, a existência de Israel, que justificou todas as guerras árabe-israelenses.
A Mubarak, do Egito, atribuísse recente declaração de que nenhum líder árabe pode concordar com desistência do direito de retorno dos refugiados. Yasser Arafat, o já falecido grande líder do moderno nacionalismo palestino, rejeitou todas as propostas de soluções alternativas. Abu Mazen, o atual presidente da Autoridade Palestina, tem a mesma posição. Desistir do significado e expressão de Israel, Estado judeu, é considerado como suicídio nacional.
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