30/06 -
18:54
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Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
O Banco Central da China defende a idéia de uma moeda especial para servir de moeda reserva. A sugestão é encontrada no relatório que emite sobre a estabilidade financeira.
O “Center for Reseach of Globalization” (Global Research.ca),dedicado ao estudo da globalização, foi quem notou que o relatório fala que “é um sério defeito que uma moeda fique acima de todas”. Esta moeda, óbvio, é o dólar. A Global Research coloca entre aspas o seguinte trecho, que afirma ser do Banco: “um sistema monetário dominado por uma única moeda vem intensificando a concentração de risco e a generalização da crise”. O Banco faz sutil critica à política monetária e fiscal dos Estados Unidos quando defende que o FMI precisa exercer maior supervisão das políticas econômicas e monetárias de países de moedas fortes.
Zhou Xiauchan, citado como o diretor do Banco, teria levantado a hipótese da supermoeda há tempos. Ele imagina que venha o “Special Drawing Rights”, direito especial de retirada utilizado pelo FMI, possa substituir o dólar. A idéia é a de ser criada uma moeda estável, contábil, independente das variações dos valores das moedas em geral. O relatório do Banco Central Chinês defende que o FMI venha a administrar parte das reservas monetárias dos países integrantes.
Vou repassar o máximo do trabalho do Global Research que me parece muito significativo. A China teria reservas em dólar equivalentes a 70% de suas reservas gerais que são estimadas em um valor próximo de dois trilhões. Por isso, é do máximo interesse nacional chinês evitar que a derrama de dólares aplicada por Obama para derrotar a crise possa resultar em inflação e desvalorizar suas reservas com prejuízos imprevisíveis.
Acontece que a China assumiu, na prática, via suas políticas comerciais e monetárias, o papel de principal financiadora da vocação americana de consumir. Os excedentes no intercâmbio foram transformados em papéis da dívida americana. Ela mesma criou a armadilha em que se encontra.
O país foi determinado a ser defensor do valor do dólar. O maior país comunista se vê no papel de grande defensor do capitalismo americano. É uma das consequências de produzir tudo a preços sem concorrentes. A recuperação da economia americana é vital para minimizar os riscos de uma crise econômica, e talvez política, chinesa. Uma interdependência que ninguém imaginou que aconteceria.
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