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A volta do quarteto com roteiro que não dá paz

27/06 - 19:15 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

Em apoio à determinação de Obama de promover a solução do conflito israelense-palestino nos próximos dois anos, decisões vão sendo adotadas.

Na prática, equivalem a um cerco diplomático a Israel que é de quem se esperam maiores concessões por ter mais a ceder.

É uma tática pela qual dificilmente se chegará pacificamente aos resultados esperados. Implementada, implicará inevitavelmente em um período de tensões regionais sob as mais diversas formas. Não se pode prever a que chegarão. O entendimento depende das forças em conflito. Poder externo algum pode impô-lo.

É obvio na estratégia de Obama que se pretende a proclamação de um estado palestino na mesma terra e ao lado de Israel, a hipótese de dois estados, um árabe e outro judeu.

Fronteiras palestinas mais próximas possíveis da linha que separava Israel de área ocupada pela Jordânia desde 1948 até 1967 reservada aos palestinos que nela vivem. Em 1967, Israel derrotou a Síria, o Egito e a Jordânia, ocupando vastas extensões. As elevações do Golâdos sírios.

O deserto do Sinai do Egito. A Cisjordânia, a Canâa bíblica, na posição judaica. O Sinai foi trocado com o Egito por um acordo de paz. O Gola está em disputa. Mas a questão que estou focalizando é a palestina.

O caso foi de que nenhuma iniciativa chegou a ser adotada pela Jordânia para ajudar os palestinos no desenvolvimento da Cisjordânia. Os palestinos que se transformaram em refugiados espalhados pelo mundo árabe foram mantidos na situação de apátridas.

O motivo apresentado foi que só assim seria possível pressionar o mundo para que obtivessem o direito de retorno. Vários conflitos armados foram ocorrendo.

O vazio de poder na Cisjordânia de milhões de palestinos inspirou um programa de ocupação. Cidades, indústrias, cooperativas agrícolas, universidades foram sendo criadas onde hoje habitam cerca de 35 mil israelenses.

Então, simplificando, além da questão dos refugiados criou-se aquela dos assentados. Dispostos a resistirem por todos os meios a serem retirados. A ameaça de guerra civil é real. Não esqueça o leitor que simplifico, pois fazemos jornalismo.

A cidade velha de Jerusalém terá de ser compartilhada com os palestinos que também a desejam para capital.

Em linhas gerais, o projeto de paz é semelhante ao que foi decidido na partilha da Palestina em 1947, na Assembléia Geral das Nações Unidas.

A Palestina de então equivalia a um terço da região que os turco–otomanos haviam ocupado por cerca de 500  anos como parte de seu gigantesco império desmontado depois derrotado pela aliança anglo-franco-americana na guerra com a aliança liderada  pela Alemanha em 1914.

Em cerca de dois terços a Grã-Bretanha havia estabelecido o principado da Transjordânia com Abdala como emir (príncipe), um  nobre beduíno do clã Hussein, o mesma do Profeta Maomé que não deixou descendentes masculinos.

Árabes e judeus vinham em conflito desde o século do nascimento do nacionalismo na Europa, século 19 das guerras napoleônicas. Tel Aviv, a mais prospera cidade judia acaba de completar 100 anos.

A idéia da partilha foi a solução encontrada para pacificá-los. Os judeus aceitaram–na e criaram o estado. Os árabes rejeitaram-na. A implementação deu inicio a inúmeras guerras, total ou parcialmente vencidas por Israel que corresponderam à expansão do território original.

Na geografia do Velho Testamento parte das regiões ditas palestinas são qualificadas de Terra Escolhida para o Povo Escolhido para receber os Mandamentos. Conquistaram-na saindo do deserto entrando por Jerico que ainda existe e disputa com Damasco o título de mais antiga do mundo ocidental e está sob domínio palestino.

Cerca de 600 anos depois de Cristo, nasceu o Islã. A tradição diz que o anjo Gabriel apareceu a Maomé com preces para dizer o que ele fez. Então, lhe foi revelado ter sido escolhido como último Profeta de Deus (Alá). E foi a quem foi revelado o Corão, por conseqüência, o último Testamento.

È da tradição muçulmana que onde Maomé pisou virou terra sagrada. E que Maomé veio de Medina, cidade sagrada, sendo Meca a mais sagrada, tendo pisado na Colina do Templo que os judeus chamam a Colina da Casa de Deus. Então ascendeu a Alá, Deus, que começou a lhe revelar o Corão.

No local, os muçulmanos construíram a imensa mesquita de Al Aksa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã. Ao dizerem dois estados numa mesma terra quer se dizer dois estados, um judeu e outro árabe na mesma terra a ambos sagrada. Jerusalém contém o terceiro lugar mais sagrado do Islã, o mais sagrado dos judeus e os dois mais sagrados do cristianismo, o Santo Sepulcro e, perto, Belém da Natividade.

Na atual etapa do plano de paz o Quarteto - Rússia, Estados Unidos, União Européia, Nações Unidas - pressionam para que o governo de Israel suspenda o cerco a Gaza, entregue a segurança da Cisjordânia os Palestinos, impeça a expansão dos assentamentos.

Num futuro próximo seriam iniciados os entendimentos sobre todas as questões a serem resolvidas no roteiro da paz. Enviado de Obama voltará para facilitar o entendimento. Os palestinos árabes querem um recuo de Israel para linhas que ocupava antes de 1967, direito de retorno dos refugiados aos locais dos quais saíram e não existem mais, Jerusalém como capital.

Não há hipótese de Obama não se queimar.

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