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Irã terá bomba em 2014, prevê o Mossad

16/06 - 21:19 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

A questão é claríssima: Ahmadinejad, o amigo de Lula e Chávez, está reeleito. As autoridades de fato do Irã não anularão as eleições. No máximo poderão anular a eleição de uns poucos parlamentares nas quais, se conveniente, serão encontradas irregularidades.

A Republica Islâmica do Irã deverá ter a sua bomba nuclear pronta para ser empunhada ou usada em 2014, na pior das hipóteses. Quem diz isto é Meir Dagan, chefe do Mossad, o Instituto para Inteligência e Operações Especiais, o notório serviço secreto que só opera no exterior.

Eleições não traduzem as essenciais características de democracia. O poder iraniano apóia-se na Shaaria, a lei religiosa. A lei civil, como existe do Brasil, expressa uma Constituição redigida e aprovada por um Congresso de representantes do povo. Independe das crenças praticadas.

O Legislativo, que inclui vereadores, deputados estaduais, senadores e deputados federais é integrado por indivíduos eleitos. O Executivo, prefeitos, governadores, o presidente e o vice, são eleitos. Seus poderes são fixados na Constituição. O Poder Jurídico é selecionado segundo regras inspiradas na Constituição, sendo independente dos poderes políticos. Os juízes são obrigados a garantir igualdade de direitos dos cidadãos, como manda a Lei. Nem Cardeais, nem prelados de seitas protestantes, nem rabinos, nem mãe de santo, decidem.

E há toda uma infraestrutura para realizar os serviços que o Estado é obrigado a cumprir em obediência da Lei. Corrupção, sempre existente onde existe o poder, muda a qualidade do governo mas não a substância do sistema. Lula manda tanto quanto lhe permitem deputados e senadores. Quem manda no Irã é o Aiatolá, o Supremo Sacerdote, poder não eleito pelo povo. O presidente pode decidir o que quiser, contanto que decida o que é aprovado pelo Supremo Sacerdote. Até que ponto a reeleição de Ahmadinejad foi manipulada ou não, depende do que for decidido pelo aiatolá. E tudo indica que já decidiu: ele foi honestamente reeleito.

A chamada “comunidade internacional” quer a verdade, mas não tem os meios para obtê-la. O Irã não se abre e tem reagido com indiferença às pressões para que desista de seu suspeito programa nuclear em troca de compensações.

Existe a decisão de Casa Branca de estabelecer um diálogo com o eleito. “Continuaremos a nos empenhar para tentar um diálogo direto e duro entre nossos dois países”, Obama declarou, respondendo se a reação das autoridades de Teerã ao povo que protesta, sabendo-se que houve mortes, mudaria suas intenções. Ele também disse que os Estados Unidos têm o interesse “de evitar que o Irã desenvolva armas nucleares e continue apoiando atividades terroristas”.

O chefe do Mossad diz que, para Israel, a presença de um Ahmadinejad facilita a tarefa de explicar o perigo de um Irã nuclear. Mas não dá para esquecer que foi Mousavi, o candidato da oposição, dito de linha moderada, quem deu inicio ao programa nuclear. O atual governo acompanha a reação americana ao desafio da Coreia do Norte. Se não for dos mais duros, Teerã persistirá na sua posição. E se os americanos optarem por diplomacia, o resto do mundo virá atrás.

A reeleição “lança o inimigo no caos”, diz Mahmoud Mustafá, ministro da Defesa do Irã, numa referencia a Israel. Existem dois pontos de consenso na elite política iraniana: o ódio a Israel e a decisão de prosseguir no programa nuclear”, comenta Lieberman, o ministro israelense da Defesa.

È inegável que a determinação iraniana tenderá a influir em como Israel negociará a questão palestina, que Obama quer resolvida em dois anos. Mas é obvio que não haverá apoio algum a que se concorde em desistir de qualificar Israel de Estado judeu. Alega-se que se os países árabes podem se assumir como islâmicos, por que negar aos judeus um Estado judeu?

Sem esta qualificação, m poucos anos Israel será um país muçulmano pelo voto, pois seria concordar com o direito de retorno dos palestinos, que logo seriam maioria. Hoje, madrugada de 17 de junho no Oriente Médio, não se sabia como resolver a questão iraniana nem a judaica-israelense. As complicações aumentam.





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