iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

ULTIMO SEGUNDO

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Mundo ignora globalização e crise piora

11/03 - 18:28 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

Relendo Heidegger, um dos maiores filósofos do século passado, encontrei uma frase perfeita para os nossos dias. Cito em inglês, pois receio não conseguir versão satisfatória do que ele escreveu - cuja verdade ninguém pode negar: “the most provoking thing in our thought-provoking time is that we are still not thinking” (o maior desafio dos nossos tempos que tanto estimulam a pensar é que ainda não estamos pensando). Não me considero capacitado a traduzi-lo, mas espero ter transmitido o espírito do que ele escreveu. A crise e as soluções a ela aplicadas parecem confirmá-lo.

Como todo indivíduo preocupado com as confusões atuais, me surpreendem alguns lapsos do óbvio. Ou será que inventaram palavras para justificar bons negócios e vivemos uma grande mentira por anos? Não houve a globalização e o aprofundamento da interdependência? Houve sim e é possível comprovar.

Qualquer leitor sabe, por exemplo, que não existem fábricas de automóveis, existem montadoras que juntam peças compradas em centenas de fabricantes espalhados pelo mundo. Este PC é uma montagem. O mercado foi mundializado. Transferir empresas e empreendimentos do próprio país para outros e importar o produto para vendê-lo no mercado interno é o comum. Os meios de transporte, os meios de comunicação transformaram tudo.

O país que se diz autosuficiente é subdesenvolvido e pobre. A crise é a grande prova da internacionalização do sistema financeiro. Os bancos são, na prática, instituições vinculadas por negócios e associadas em investimentos.

Acabaram-se os tempos de soluções nacionais. Imagino que as lideranças mundiais estejam conscientes de tais simples realidades, mas elas dão a impressão de que não pensam o suficiente. A crise demonstra que se estava vivendo a ilusão de que a globalização e a interdependência eram o contexto para bons negócios. Não se preparou coisa alguma para as conseqüências não visadas nem desejadas.

Pensou-se em regras e normas para facilitarem bons negócios. Liberdade de comerciar, garantias para os investimentos estrangeiros, facilidade e imediatismo na transferência de dinheiros, um mundo aberto a intercâmbio tão lucrativo quanto possível.

Bolsas de valores operando 24 horas por dia, fortunas fantásticas foram criadas em pouco tempo. O mundo tornou-se mais desigual do que nunca, mas se esqueceu que tudo isto se fazia apoiado nas centenas de milhões de indivíduos que eram a máquina produtiva e consumidora. Não faltaram teorias profetizando que se descobrira o segredo do Eldorado.

Heidegger tinha razão: era um mundo convidando a pensar, mas não se pensou. As equações foram montadas sem incluir a hipótese do final a que se chegou, de que outras realidades se formavam em oposição a aquelas em que se vivia.

É cada vez mais fortemente verdadeiro que a crise não será superada pelos trilhões que vem sendo aplicados para salvar estruturas em contextos nacionais. Estamos todos inseridos uns nos outros. O FMI identificou em regulamentos ultrapassados a origem da crise, mas falta coragem aos chamados estadistas de nossos dias assimilar que sem profundas reformulações das normas internacionais existentes, compatíveis com a época da globalização e da interdependência, não será possível resolver de verdade coisa alguma.





US Multimídia


Publicidade


Matérias Relacionadas

O dito, o feito e a solução

Junho ainda não é mês da paz de Obama

Obama quer seduzir os turcos

Pobre mundo sem homens de visão


Enquete


 

Contador de notícias