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Bolsa-Família e os ricos banqueiros americanos

26/02 - 17:00 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

A crise explodiu no governo Bush. E o governo para evitar que o sistema financeiro derretesse procurou recapitalizá-lo com bilhões de dólares. Era dinheiro de ampliação da dívida pública. Dinheiro dos que pagam impostos. Dívida que os contribuintes terão de pagar, pois o governo é um serviço sustentado pelo qual pagamos impostos e taxas. Nas democracias quem decide é o Legislativo. Por isso, cada centavo encaminhado teve de ser aprovado no Congresso.

Qualquer um sabe, desde aquele que ganha um salário mínimo àquele que é realizador de grandes operações, que sem crédito nada se faz. Mas o sistema se fechou em autoproteção. Não retomou a concessão de créditos. A falta de crédito foi o que contagiou a economia real, aquela que produz coisas materiais, que podem ser tocadas com as mãos. A resultante da queda de consumo provoca a queda da produção e o desemprego. Um círculo vicioso. Claro que tudo é bem mais complexo, mas na essência é o que ocorre.

O círculo vicioso é um fenômeno delicado. Pensem na sabedoria contida na brincadeira da ciranda: “Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar (...). O anel que tu me destes era de vidro e se quebrou. O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou”. Basta parar a ciranda para concertar tudo? A questão é como restabelecer a normalidade? Por onde começar?

O governo acreditou e foi decepcionado. Obama determinou que de agora em diante tudo será feito sob cuidadosa vigilância e inspeção. Nada de ajuda sem certeza, isso mostra que é para o sistema financeiro cumprir as obrigações que justificam sua existência. A oferta de crédito.

É inaceitável que apenas se pense no benefício dos que controlam o empreendimento, como aconteceu nos Estados Unidos e passou a ser contestado. Teve gente que veio a Washington em luxuosos jatos executivos, foram ao Congresso em carros de centenas de milhares de dólares, para pedir ajuda do Congresso, dinheiro do assalariado. E o Legislativo não perdoou. O que começou nos Estados Unidos repete-se pelo mundo. A natureza humana é essencialmente a mesma. A lei de Gerson de levar vantagem é universal.

Poderia usar de exemplo os programas de ajuda aos refugiados. É comum transformarem a ajuda em um direito. Não querem outra vida. Mas os detalhes ficam para outra oportunidade. No entanto, comprovam, desde o primeiro programa criado nos anos 30 pelo governo de Franklin Roosevelt, dos Estados Unidos, que onde houve combinação de ajuda contingencial com motivação e assistência para se sair da dependência, muitos encontraram força e inteligência para isto. Óbvio que o contexto é fundamental. É mais fácil sair do buraco tendo em que se agarrar. Mas os que se habituaram a viver na vida boa, não gostam de fazer força. Nunca saem do seu estado de semi-miseráveis a não ser por meio do crime.

Se não me falha a memória, foi na Gazeta, diário de Vitória, que se reclamou falta de mão de obra para colheitas. O trabalhador não queria correr o risco de perder a Bolsa-Família. Na coluna de ClaudioHumberto.com.br, que leio diariamente, pois sempre contém informações interessantes, verifico que o governo selecionou 320 mil nomes de beneficiados pela Bolsa-Família para participarem de cursos de qualificação. Era a oportunidade para entrarem no mercado e conseguirem uma vida melhor.

O jeito de se romper a ciranda da miséria. A qualificação deveria ser oferecida e obrigatória, compatível com as possibilidades e o meio ambiente. Ao que me consta não se pensou nisto. Como no caso dos riquíssimos banqueiros de Wall Street não se incluiu a natureza humana no plano. Cláudio diz que apenas 5% dos beneficiados se interessaram...





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