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Novo sinal de mudanças na política americana

21/02 - 20:20 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

O carnaval, como todos os anos, recebe o maior destaque na mídia internacional. É irresistível aos fotógrafos a quase nudez das mais destacadas belezas. Mas no mundo real predominam os problemas e as tentativas de resolvê-los. E vão surgindo mudanças das táticas americanas nas relações internacionais. O governo Obama sinaliza que vai enfatizar o diálogo como meio de solução de suas diferenças. Haverá um esforço numa reaproximação com o mundo muçulmano.

O que começa a acontecer em relação ao conflito israelense-palestino parece comprovar tal tendência. Não existem declarações de lideranças americanas, mas movimentos. O governo egípcio convidou o Movimento Palestino de Libertação, o Fatah, e a Frente Islâmica de Resistência, o Hamas, e outros movimentos palestinos, para um encontro no dia 25 de fevereiro, em Cairo. O objetivo é promover a reconciliação de todas as facções. O “Jerusalém Post”, jornal diário israelense em língua inglesa, afirma que o governo Obama concordou e até estimulou Mubarak, o presidente egípcio, a convencer o Fatah e o Hamas a formarem um governo de união nacional.

Abu Mazen, presidente da Autoridade Nacional Palestina, que administra as suas áreas da Cisjordânia, onde vivem cerca de 2,5 milhões de seus cidadãos, governa com a cidade de Ramala, perto de Jerusalém, como sua capital, é Fatah. A Faixa de Gaza, com um 1,5 milhão de palestinos, é governada pelo Hamas que expulsou o Fatah com o qual chegou perto de guerra civil. Tropas israelenses fizeram a guerra ao Hamas há poucas semanas. Existe um precário cessar-fogo de fato. As conversações do Egito, intermediando entre Israel e Hamas, ainda não chegaram a um acordo. Ainda neste sábado caíram morteiros do Hamas em regiões israelenses. Os americanos no tempo de Bush consideravam inconveniente uma reconciliação entre as facções palestinas. O Hamas quer uma Palestina islâmica e não reconhece a legalidade da existência do estado judeu.

Nos meios diplomáticos, explica-se que o governo Obama consideraria a reconciliação e um governo palestino de união como mais provável de manter estabilidade na região. A unidade facilitaria a realização da solução do conflito pela fórmula de dois países, Israel e Palestina numa mesma terra. Soube-se que o Fatah e o Hamas têm mantido conversações preparatórias em Cairo na maior discrição. Todo o esforço será feito para que se cheguem aos resultados desejados. Mas nunca se pode ter certeza.

No domingo, Bibi Netanyahu começa a negociar a formação do novo governo. Ele vai tentar atrair o Kadima, de centro, e o Trabalhista, de esquerda, para a hipótese de governo de união nacional. Não há calma nas fronteiras, existe o que se qualifica de ameaça existencial, a hipótese de Teerã a ter sua bomba e a crise econômica que chega forte.





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