17/01 - 09:02 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
É muito provável que se esteja vivendo as últimas horas da Operação em Gaza. Em meios informados fala-se até da probabilidade de Israel decidir por um cessar-fogo unilateral neste fim de semana. Os principais objetivos teriam sido alcançados. A força do Hamas foi muito desgastada. A Frente de Resistência Islâmica não teria condições de continuar a luta. No sábado, espera-se, serão multiplicados os ataques por mísseis à região sul num ultimo esforço. As munições vão acabando. Não é possível renovar o arsenal, pois estão impedidas as vias do acesso do contrabando de armas.
Israel e Hamas não se falam. É então verdade que a Frente Islâmica, como afirma sua liderança, jamais negociará com Israel e vice-versa. Não se reconhecem um e outro. Não mantém relações além dos contatos na luta. Coisas do mundo atual das guerras assimétricas, do choque entre um estado e organizações ilegais, como, no caso do Hamas, qualificadas de terroristas.
Ainda não entrei em Gaza. Seria surpreendente se não ver mortes e destruição. Mas, depois de meus anos de profissão, não confio muito em informações de fonte oficial. Cada lado exagera o que convém a seus objetivos. Quero ver com meus olhos. Guerra psicológica é arma poderosa. Abala certezas do inimigo e conquista simpatias internacionais.
Nas guerras de outros tempos, entre Estados, o jornalista torcia pelo seu lado. Na atual, de Israel contra o Hamas, a torcida parece ser maior do lado islâmico. A objetividade não é alcançável. Por mais esforço que se faça, as simpatias se inserem ou se infiltram em tudo.
A notícia ou reportagem atrai espectadores ou leitores que então se oferece para atrair anunciantes. Mas nem todas as guerras interessam. Não faltam delas no nosso mundo, num exemplo vergonhoso, milhões são vitimados nas guerras africanas que não “vendem”.
Não interessa a ninguém, ou apenas a poucos, o fracasso da Comunidade Internacional em dar um fim a guerra civil no Congo ou a guerrilha da Nigéria. Ou a incrível atividade de piratas da Somália que raptam navios inteiros. O preconceito ainda faz parte da chamada civilização.
A operação contra o Hamas em Gaza estrela noticiários de todas as mídias. Israel aparece como o bandido e o outro lado como vitima. O fato de cerca de milhão de israelenses estarem sobrevivendo com a angústia do medo não é interessante. Israel recorrer a operação de guerra é o crime do dia. Vende. Mas é coisa ,tudo indica, chega ao fim.

Publicidade