16/01 - 21:05 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
É muito provável que se esteja vivendo as últimas horas da Operação em Gaza. Em meios informados fala-se até da probabilidade de Israel decidir por um cessar fogo unilateral neste fim de semana. Os principais objetivos teriam sido alcançados. A força do Hamas foi muito desgastada. A Frente de Resistência Islâmica não teria condições de continuar a luta. No sábado, espera-se, serão multiplicados os ataques por mísseis à região sul, num ultimo esforço. As munições vão acabando e não é possível renovar o arsenal, pois estão impedidas as vias do acesso do contrabando de armas.
Israel e Hamas não se falam. É então verdade que a Frente Islâmica, como afirma sua liderança, jamais negociará com Israel e vice-versa. Não se reconhecem um e outro. Não mantêm relações além dos contatos na luta. Coisas do mundo atual das guerras assimétricas, do choque entre um Estado e organizações ilegais, como no caso do Hamas, qualificadas de terroristas.
Ainda não entrei em Gaza. Seria surpreendente não ver mortes e destruição. Mas, depois de meus anos de profissão, não confio muito em informações de fonte oficial. Cada lado exagera o que convém a seus objetivos. Quero ver com meus olhos. Guerra psicológica é arma poderosa: abala certezas do inimigo, conquista simpatias internacionais
Nas guerras de outros tempos, entre Estados, o jornalista torcia por um dos lados. Na atual, de Israel contra o Hamas, a torcida parece ser maior do lado islâmico. A objetividade não é alcançável. Por mais esforço que se faça, as simpatias se inserem ou se infiltram em tudo
A notícia ou reportagem atrai espectadores ou leitores que então se oferecem para atrair Em um exemplo vergonhoso, milhões são vitimados nas guerras africanas que não “vendem”. Não interessa a ninguém, ou apenas a poucos, o fracasso da Comunidade Internacional em dar um fim à guerra civil no Congo, à guerrilha da Nigéria, ou à incrível atividade de piratas da Somália que raptam navios inteiros. O preconceito ainda faz parte da chamada civilização.
A operação contra o Hamas em Gaza estrela noticiários de todas as mídias. Israel aparece como o bandido e o outro lado como vítima. O fato de cerca de milhão de israelenses estarem sobrevivendo com a angustia do medo não é interessante. Israel recorrer à operação de guerra é o crime do dia. Vende. Mas é coisa que, tudo indica, chega ao fim.
Leio e acompanho o noticiário da operação israelense em Gaza pelos mais variados veículos. Tenho décadas da prática de jornalismo e não posso deixar de admitir que não recordo nada semelhante aos extremos empregados em se condenar Israel. Pratica-se um mal jornalismo, parcial, mais desinformação do que informação.
As imagens são dramáticas como são sempre as de guerras. Deixam a impressão de que um único lado massacra e o outro é o cordeiro sacrificado. Cria-se ambiente internacional que veste um lado de inocência e outro de lobo mal.

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