14/01 - 19:44 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
A prioridade absoluta de Obama é a crise econômica. E o povo americano espera que ele assuma o caminho novo logo nos primeiros momentos de sua presidência. Provavelmente minutos depois de entrar na Casa Branca, no próximo dia 20, assinará programas deverão confirmar suas promessas de mudança.
As pressões internacionais pelo fim das hostilidades em Gaza são fortíssimas, como se comprova na sede das Nações Unidas, onde se manifestam em resoluções.
O Egito, principal mediador entre Israel e Hamas, tenta viabilizar o entendimento. Enviados de Israel e do Hamas chegam ao Cairo, ouvem e contrapropõem, de forma a não se encontrarem (na quarta gente do Hamas e na quinta-feira gente de Israel). Ainda não se chegou lá, mas caminha-se. A decisão de cessar-fogo pode até acontecer antes do dia 20. A implementação é que tenderá a demorar.
O conflito em Gaza é das questões urgentes na agenda de Obama. Porém, nada mais urgente do que o bem-estar americano, abalado pela crise. Não existe confiança alguma entre Israel e Hamas, mas eles precisarão aceitar a solução política. É do interesse de ambos. Será um grande feito para o governo do Egito.
Pelo que reporta a mídia, Israel considera ter realizado o suficiente de seus objetivos estratégicos, tais como destruir grande parte da infra-estrutura de poder criada pelo Hamas, demonstrar seu preparo e determinação na defesa da tranquilidade de seus habitantes. Mas chegou a uma encruzilhada.
Um lado leva a uma escalada do combate a níveis politicamente insuportáveis pelos seus custos humanos e políticos. Escalada que terminaria na indesejada reocupação de Gaza, a estreita faixa de 400 quilômetros quadrados e bem mais de um milhão de habitantes que nem Egito nem Jordânia aceitaram assumir nos seus acordos de paz com Israel.
Uma população de insignificante renda na média e aparentemente infiltrada de ideologia fundamentalista e teimosos guerreiros. E viria se acrescentar aos cerca de milhão e meio de árabes israelenses, tornando mais próximo e provável que cheguem à maioria no atual Estado judeu. Vitória custosa.
O outro lado, o do entendimento, interromperá a luta com compromisso de cessar-fogo, impedimento ao rearmamento do Hamas por meios do contrabando, direito de punir agressões. Um cessar-fogo possibilita ao Hamas proclamar que não foi derrotado, sustentar sua ambição de uma Palestina islâmica, lhe oferece a possibilidade de ajuda internacional na reconstrução, e até uma certa legitimidade .
No dia 10 de fevereiro realizam-se as eleições gerais de Israel, quando um dos atuais ministros poderá chegar a chefiar o próximo governo. Obama assume a mais poderosa função do mais rico país e, com certeza, em um mundo de desafios mais complexos e jamais enfrentados por um presidente americano.
Franklin Roosevelt, membro de aristocrática família, eleito nos princípios dos anos 1930, enfrentou a Grande Depressão, que foi das grandes tragédias da história moderna. Adotou e implementou políticas que mudaram os Estados Unidos com um conjunto de iniciativas audaciosas e inovadoras. Mas a Depressão só foi superada com a Segunda Grande Guerra. Barack Obama terá de liderar o encontro de soluções nacionais e internacionais. O homem que veio com mensagem de paz.

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