06/01 - 20:57 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Conforme era previsto, já começaram as confusões sobre a cessação das hostilidades em Gaza. A secretária de Estado Condoleezza Rice, do governo Bush, está em Nova York conversando com o secretário-geral Ban Ki-moon sobre as linhas gerais de um projeto que deve ser discutido com delegações de países árabes se possível ainda nesta madrugada.
Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança se reúne para debater a questão. Rice deverá defender uma resolução que atenda ao desejo de Israel de um cessar-fogo de longo prazo e ações que impliquem no desarmamento do Hamas e no fechamento de todas as vias possíveis de contrabando de armas, tanto terrestres como marítimas, e medidas que satisfaçam a determinação do Hamas em não se sentir derrotado.
Trata-se de um ato de equilibrismo político cujos detalhes serão elaborados em cooperação e que, por mais que eu quebre a cabeça e tenha anos de cobertura jornalística da ONU, não consigo imaginar o que irá acontecer.
Seria uma chave de ouro para Rice, ao deixar seu cargo no próximo dia 20, data da posse de Obama. Ela empenhou boa parte de seus anos na função de promover a paz e o estabelecimento do Estado palestino ao lado do Estado judeu, na mesma terra. Fracassou. O conflito é parte de questões não resolvidas do Oriente Médio, herança de Bush.
Em meios diplomáticos, imagina-se que será proposto um cessar-fogo imediato, o que, no ritmo de trabalho do Conselho e com a complexidade da questão, implicará um número indeterminado de dias em que os 11 países que compõe o Conselho, cinco deles com poder de veto, necessitarão para os inevitáveis aperfeiçoamentos de linguagem. O Conselho de Segurança sempre adota textos com certas dubiedades o que facilita sua aprovação.
É mais do que claro que Israel já demonstrou ao Hamas a sua superioridade. Mas, como vem sendo a experiência internacional, ainda são desconhecidos os casos de absoluta derrota de organizações ditas terroristas com raízes no povo. Ocupam-se centros, como aconteceu no Iraque, mas indivíduos aqui e acolá continuam atacando e desgastando as forças convencionais.
As saídas políticas, apoiadas pela Comunidade Internacional são as mais convenientes. Além do mais os governos árabes estão preocupados com a inquietação de seus povos em solidariedade aos palestinos de Gaza. As massas nas ruas são uma ameaça à estabilidade. Pode ser que Rice acerte.
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