28/12 - 17:35 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
TEL AVIV - O fracasso no confronto com o Hezbolah xiita na impropriamente chamada de guerra com o Líbano serviu de lição. É óbvio que os israelenses só decidiram o ataque ao Hamas em Gaza depois de detalhado preparo e quando a ação se tornou inevitável face ao número crescente de ataques de mísseis contra sua região sul.
Desde o começo, de sábado a domingo, foram atingidos 240 alvos e destruídos cerca 40 túneis entre Gaza e o Sinai pelos quais vinha o contrabando de armas.
Alvos são selecionados e estudados com antecedência. Os mortos chegam perto de 300. Israelenses alegam ser possível identificar os uniformizados. Forças de artilharia foram colocadas na fronteira onde já se encontram tropas para a hipótese de operação para reocupar Gaza da qual, depois de desmancharem centros de colonos judeus em 2005, dela foram afastadas. A Faixa foi entregue ao governo de Abu Mazen, eleito presidente na morte de Yasser Arafat num hospital francês.
O domínio foi perdido para Frente de Resistência Islâmica, Hamas, depois de sangrento choque, que rejeita reconhecer o direito de existir do Estado judeu e está sob sanções punitivas da ONU. Foi quando os ataques aos centros israelenses ganharam em frequência com os Qassam, que são mísseis primitivos, e poucas vítimas faziam além de destruir bens.
Os israelenses também sabem que o Hamas conta com 15 mil soldados bem treinados com assistência do Irã e Hezbolah que seriam provavelmente reforçáveis por voluntários árabes de diferentes regiões. O Hamas preparou obstáculos e armadilhas para receber a tropa judia que tenderá a sofrer pesadas perdas. O Hamas, sabe-se, avança de grupo terrorista para ser uma guerrilha com ótima estrutura de comando e armamento. O chefe do Shinbet, segurança interna, confirma que o Hamas já dispõe de mísseis de alcance de 40 quilômetros, o que abrange boa parcela da população israelense. Milhares deles. Domingo, inúmeras cidades até hoje fora do alcance foram incluídas na rede de sistemas de alerta.
Analistas israelenses confiam que Israel tem condições de superar as armadilhas que incluem armas, antitaques, e mesmo anti-helicópteros. E deve estar preparado para surpresas que foram preparadas. Não será um passeio.
A questão do depois é de a força da Autoridade Palestina terá condições de assumir Gaza. A distância entre o que pretende do Hamas e o desejável para Israel é gigantesca.

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