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Chuva de mísseis sobre o Sul de Israel

20/12 - 21:31 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

TEL AVIV - O governo interino de Israel se reúne no domingo para discutir uma estratégia para a continuada chuva de mísseis de vários tipos sobre a região Sul depois da interrupção do cessar-fogo. É estratégia, pois a tática adotada, que incluía operações aéreas tendo como alvo supostas baterias de Qassams, manutenção do cerco a Gaza, um período de compromisso de calma intermediado pelo Egito, não produziu resultados satisfatórios. Tem-se uma metáfora do dilema do ovo e da galinha: reações aos Qassam que só resultam em mais Qassam e mais reações israelenses.

Na Faixa de Gaza, de cerca de 400 quilômetros quadrados, vivem bem apertados bem mais de um milhão de palestinos. O número exato e estimado e palpitado, pois há muito que não se realiza um recenseamento. Boa parcela da população sobrevive há 60 anos com programa de assistência ao refugiado. Em tempos mais tranquilos fornecia mão-de-obra para o trabalho nas fazendas coletivas.

Israel tentou entregar Gaza aos egípcios e aos jordanianos. A assunção da responsabilidade foi rejeitada. Não é hipótese considerável.

A região Sul de Israel abrange o deserto do Neguev, cerca de dois terços de todo o território do Estado judeu com Eilat, cidade turística e porto para o Mar Vermelho no extremo sul. Um golfo ocupado de outro lado pela cidade turística e porto jordaniano de Akaba. Clima de moderado a quente sempre. Mar de límpidas águas ideais para os mergulhadores. Vem gente de todos os cantos do mundo. O deserto é uma paisagem de selvagem beleza.

O Sul contém cidades de estratégica importância para Israel. E relativamente grande população que reclama medidas de defesa mais rigorosas. É sem duvida angustiante viver sob as explosões dos Qassams que fazem barulho infernal e assustador.

Não deve ser agradável a vida dos palestinos de Gaza com as réplicas israelenses.

Em democracias cabe ao poder político decidir questões de guerra e paz. Guerra é questão de custos materiais, humanos, políticos. Dúvidas quanto a resultados. Nunca uma decisão simples. E o governo atual de Israel é interino, pois o primeiro ministro é demissionário. Eleições gerais serão em fevereiro próximo. O governo atual não tem mandato explícito da maioria do povo para ações mais radicais. E a questão de Gaza é politicamente delicada, A Faixa é governada pela Frente Islâmica de Resistência, Hamas, que está em conflito com o Fatah secular com cujo lider, Abu Mazen, discute-se a hipótese da paz não alcançada em 60 anos da existência de Israel. Mas além dos palestinos de Gaza urge considerar possíveis reações da massa de muitas dezenas de milhões de árabes muçulmanos e persas educadas no ódio Israel. A população do Oriente Médio. Todas as possíveis e imagináveis complicações terão de ser examinadas pelo Gabinete de um país de menos de sete milhões de habitantes. Os israelenses sob fogo, porém, querem uma solução.

Qual será? A diplomacia internacional está a pleno vapor, empenhada em evitar a escalada com suas inevitáveis trágicas consequências. Consta que recolheu sinais de que é possível ter sucesso. Seria provavelmente o melhor para todos.





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