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Carro elétrico no mercado muda futuro

11/12 - 19:34 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

ISRAEL – É possível que a teimosia de um israelense esteja influindo na hesitação do Congresso americano de ajudar a indústria automobilística do país. É verdade que a primeira ida dos dirigentes da GM, Ford, e Chrysler com um pires na mão pedindo um socorro de US$ 34 bilhões causou irritação aos parlamentares.

Chegaram em seus jatos particulares, super luxuosos, cujos custos de compra e manutenção chegam a muitos milhões de dólares para pedir um dinheiro que o governo recebe dos cidadãos que pagam os impostos.

Na segunda visita, vieram de carro, trouxeram um plano de salvação e acabaram vendo a Câmara dos Deputados concordar em emprestar menos da metade do que era desejado. O Senado ainda reflete. Considera-se que não aplicaram criatividade diante da explosão dos preços do combustível em veículos mais eficientes.

Shai Agassi, um empresário israelense de inovações, implantou a Better Place, para promover comercialmente o carro elétrico e livrar os meios de transportes públicos e privados da dependência do petróleo, que Israel não produz nenhuma gota.
 
O judeu por tradição é um povo de senso de humor que goza de si próprio, lembra uma anedota que já contei e repetirei: Moisés, o profeta a quem Deus revelou os Mandamentos e apontou ao Povo Escolhido a direção de Canaã, era gago e seu irmão Araão era seu porta-voz. Deus pergunta a Moisés o que ele quer para a Terra dos judeus. Ele tanto gagueja que Deus perde a paciência e aponta o caminho de Jericó como o da Terra Prometida. Mais uma poucas centenas de metros e Canaã seria onde é hoje a Arábia Saudita do petróleo.
 
Agassi registrou sua empresa na Califórnia. Fechou negócio com Israel, com a Dinamarca e a Austrália para testar a viabilidade econômica de seu carro. A idéia consiste em transformar a energia do vento e do sol com um sistema que faz delas um combustível limpo para baterias especiais para motores. O veículo estaciona em um posto onde recarrega. Israel já decidiu e iniciou a construção de uma primeira rede de 400 postos situados em estacionamentos nos quais também será possível a troca de baterias. A rede deverá ser nacional.
 
Tom Friedman, colunista e repórter do “The New York Times”, escreveu a respeito, acrescentando que enquanto a GM optou por ignorar Agassi, a Renault e a Nissan estão apostando nele. Bicho inteligente, Friedman simplificou todo o processo em poucas palavras. Depois de repetir a informação do diário israelense de economia, segundo o qual a grande idéia de Agassi é vender cargas para movimentar veículos por X quilômetros com um sistema central que registra tudo e manda a conta no fim do mês. “A GM vende carros, mas a Better Place venderá mobilidade”.
 
Os primeiros Renault e Nissan elétricos estarão à venda em fins de 2010. Yokohama terá a primeira central de baterias no Japão. A carga custará metade do preço corrente da gasolina. Uma idéia do século 21 derrotará o que foi novo no século 19. Falou-se de Agassi no começo do ano, mas enquanto a notícia não vem das agências, no Brasil, não é notícia.





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