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Milhões em peregrinação à Kaaba, a casa de Deus

06/12 - 20:32 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

Nestas horas três milhões de peregrinos muçulmanos concentram-se em Mina, cidade de tendas nas proximidades de Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos de todas as seitas. Vão à Kaaba, Casa de Deus construída pelo patriarca Ibrahim, nome de Abrão em árabe. Cerca de 150 mil policiais estão em serviço nas 24 horas do dia. Só muçulmanos podem entrar na cidade de nascimento do profeta Maomé. A policia também lá está para evitar infiltração de outros indesejáveis como agentes de organizações muçulmanas terroristas.

Sexta-feira é dia sagrado para os muçulmanos, Não tem nenhum vinculo com o sábado judeu e cristão.  Na concepção muçulmana, Deus jamais descansa. Na sexta, dois milhões de peregrinos ouviram o sheik da Grande Mesquita de Meca lembrar que o Haj, a peregrinação a Meca, obrigatória aos homens ao menos uma vez na vida, “reflete a unidade e igualdade dos muçulmanos” que são um bilhão e meio de indivíduos. Atrevo-me a entediar leitores, mas é essencial que se generalize o entendimento do Islã, a segunda religião em numero de crentes. Os cristãos são cerca de dois bilhões e 500 milhões. Os judeus, 14 milhões, ou o equivalente a um por cento dos muçulmanos que apenas por efeito do crescimento demográfico serão maioria em inúmeros países hoje de maioria cristã. Islã é a religião que mais cresce. “Laillah Illalah Muhammad  Rasilallah”: Não existe outro Deus além do Allah, Deus único. Maomé é seu profeta.”

No sábado, os peregrinos estavam na Colina de Arafat, o começo da religião islâmica. Como está escrito “completei minhas Benesses para vocês, e escolhi para vocês o Islã como religião”. E teria sido numa sexta-feira, numa visita de Maomé. É dia de festas. O Dia da Ressurreição. O mais sagrado, pois comemora Allah assumindo os Mandamentos de descendentes de Adão. E onde Maomé pronunciou a Oração de Despedida em seu último ano de vida. 
   
O Hadji é um dos Cinco Pilares da fé islâmica. Os outros são declarações da crença num só Deus, fé em Maomé, dizer as cinco preces diárias obrigatórias, caridade, jejum durante os 30 dias   do sagrado mês de Ramadan.

O dia 8 é Eid (Festa) do Sacrifício. Na tradição muçulmana e versão islâmica do capitulo bíblico de Gênesis, Ibrahim, patriarca do monoteísmo, recebe ordem de Deus para seguir com sua mulher Hagar para o deserto e num ponto  perto do mar Vermelho, onde está Meca, construir  Baitullah, a Casa de Allah, um quadrado feito de  pedras de cerca de  trinta metros de  extensão e 30 de altura. Repito informações de fontes islâmicas. Os fundamentos lá se encontrariam desde tempos imemoriais. O Kaaba foi construído no formato da Casa de Deus. O sura (capitulo) 3, verso 90 de Corão, diz que “Allah sempre recomenda siga-se crença de Ibrahim, um homem de pura fé e sem idolatrias”. Ibrahim rezou para que o Kaaba fosse centro de todos os povos fiéis e puros, implicitamente, os crentes em Islã. Desejou seus descendentes, filhos de Ismael, como guardiões. Os árabes se consideram ismaelitas. Durante muitos séculos descendentes de Ismael foram guardiões até serem substituídos.
     
Nada como a imaginação e encanto dos mitos. E assim se conta que depois da morte de Ibrahim, a idolatria tomou conta do Kaaba. Era impossível aos povos da época compreender um Deus invisível e que estava em todos os lugares. Cerca de 4 mil anos depois, Maomé, último dos profetas na  teologia muçulmana, tomou Meca e destruiu os ídolos dizendo que “a verdade veio e a falsidade desapareceu”. Era janeiro do ano de 630 depois de Cristo. No Kaaba existem pegadas de um ser humano que, na tradição muçulmana, são de Ibrahim, primeiro monoteísta. O Hadji é peregrinação para a Kaaba,a Casa de Deus.

Eid–al-Adha, Festival do Sacrifício, no dia 8, comemora a decisão de Ibrahim de oferecer seu  filho Ismael em sacrifício a Deus como a prova  máxima de que não existiam limites em sua devoção. Então, um anjo veio e indicou um cordeiro para ser o sacrificado. Neste dia, muçulmano que tem recursos sacrifica um cordeiro que será parte da sua refeição de um dia de feriado e festas.
  
A primeira versão do Velho Testamento, de milhares de anos antes do Corão, é do sacrifício de Izaque, filho de Sara que foi estéril até os 90 de idade. E, antes, havia ordenado a Hagar, sua escrava, deitar-se com Abrão, pois pelos costumes da época o filho seria como dela fosse. Mas ao dar luz a Ismael provocou o ciúme da matriarca que fez com que fosse expulsa da tribo.
     
Na Colina do Templo, em Jerusalém, a magnífica mesquita de el Aksa foi construída para marcar o local do qual Maomé ascendeu a Alláh que começa  a lhe revelar o Corão, o Livro Sagrado do Islã. Ao lado, a mesquita de Omar contém uma rocha onde um filho de Abrão foi lavado para ser oferecido como cordeiro de Deus. Mas no último instante um anjo desvia Abrão para um cordeiro que pastava perto. Seria Izaque? Ismael? Ambos, muçulmanos e judeus veneram os túmulos de Abrão, filho e neto na cidade Hevron onde se desentendem como sempre.





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