03/12 - 09:35 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
ISRAEL - Nas últimas 24 horas, judeus e muçulmanos se enfrentam a pedradas em combate em Hevron, onde cerca de 500 judeus ultra-ortodoxos vivem e mantém um seminário para jovens no seu pequeno bairro, cercado por cerca de cem mil árabes palestinos.
Na atual batalha, os judeus têm apoio de centenas de voluntários de outras cidades. Luta-se pela posso de edifício que os judeus alegam terem comprado e pago, o que é negado pelos árabes, a Casa da Paz, Bait Há Shalom.
Judeus e muçulmanos frequentam a mesma antiga construção que, em dias intercalados, é sinagoga e mesquita. A convivência raramente é pacífica. No Velho Testamento, Hevron é citada como local onde Abraão, que vinha de Ur na Caldeia, hoje Iraque, com sua família e tribo, comprou a dinheiro terra para seu túmulo e túmulo de seus descendentes. Lá estão até hoje, milhares de anos passados, Abraão, Sara, Isac, Rebeca, Jacó, Lea. Rachel, amada de Jacó, tem seu túmulo perto de Bélem, onde morreu de parto. São todos sagrados para judeus e muçulmanos.

Palestino observa protesto israelense em Hevron / AFP
E só há dezenas de anos as escavações encontraram artefatos do primeiro período da existência de judeus no local. O edifício original sobre os túmulos foi construído pelo rei Herodes para os judeus que vinham rezar. Acabou sendo templo das religiões de todos os conquistadores, tais como as Cruzadas. Os mamelucos muçulmanos foram os conquistadores há 700 anos e transformaram a igreja em uma mesquita e proibiram os judeus de subirem além de sete degraus, impedindo que chegassem aos túmulos. O conflito é milenar.
Hevron fica na Judéa, da tribo de Judá, uma das doze que entraram em Canaã, a Terra Prometida como narrado na Bíblia. Davi, herói e rei de Judá, fez dela sua capital por sete anos. E partiu para a conquista de Jerusalém, que, segundo uma tradição, entrou e comprou a dinheiro a colina onde imaginou construir o templo para acolher as Rochas com os Mandamentos. Mas não teve permissão por ser guerreiro. Zion, a Casa de Deus, foi construída por seu filho e herdeiro Salomão. Os judeus acabaram perdendo a cidade para legiões romanas, que a destruiram e fizeram no local a Aelia Capitulina, que desapareceu na história.
Em 1967, na chamada Guerra dos Seis Dias, os judeus reentraram na Cidade Santa, que designaram para capital do Estado de Israel. O local tradicional do Templo de Salomão, porém, é domínio dos muçulanos que nele construíram a mesquita de Al Aksa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã. Na tradição deles, foi onde Maomé ascendeu a Deus, que lhe revelou o o Corão que definem de Último Testamento, o que justifica que classifiquem o Islã como a única religião revelada por Deus (Alá). Foi na mesma guerra que os israelenses reentraram em Hevron. Entre suas primeira ações foi a destruição do sétimo degrau que leva aos túmulos. E onde são raros os dias tranquilos.
Israel construiu a cidade das Quatro Colinas (Kiriat Arbá) como subúrbio e homenageando Adão, Abraão, Izaquee e Jacó. Pela tradição judaica, é em Hevron que as preces vão diretamente a Jeová, Deus, pois é onde está enterrado o primeiro ser humano com o qual se comunicou, Abraão. São alguns milhares de anos desde então, como narrado na Bíblia. Mas o ser humano até hoje não convive pacificamente com a existência de diferentes conceitos de Deus único.
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