29/11 - 17:55 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
ISRAEL - Magnífico o texto do Dines sobre terrorismo. Estava trabalhando o mesmo tema e recebo novas informações de Mumbai nas quais as autoridades índias estimam que o numero de mortes, devido aos corpos que vão sendo encontrados nos locais atacados, chegará aos 400 sem incluir centenas de feridos.
Ainda não se sabe o número exato de terroristas que realizaram a operação, mas não devem chegar aos 30. É o que as organizações terroristas podem classificar operação bem planejada e executada.
Até a noite não se tinha identidade confiável do movimento responsável nem que objetivos visavam. Tudo o que se sabe é que o grupo que veio matar e morrer foi muito bem treinado e condicionado. Era gente convencida que não marchava para a morte, estava indo ao Paraíso dos que se sacrificam em nome do Divino. De Alá. E aí está a quase impossibilidade de se impor derrota decisiva neste tipo de guerra atual, o confronto entre forças de segurança de Estados estabelecidos e forças que não representam Estado algum, cujo centro de poder é uma idéia, a guerra assimétrica.
A Índia se tornou independente em 1947, quando parte dela se separou e surgiu o Paquistão. Em 1971, parte do Paquistão se separou e veio a ser Bangladesh.
A Índia é uma democracia com cerca de um bilhão e 200 milhões de habitantes. 150 milhoes são muçulmanos. É um Estado bem sucedido, sob leis, uma das economias mais dinâmicas da atualidade, apesar do peso de tradições milenares, nem todas compatíveis com a vida moderna. O Paquistão é um país muçulmano de 175 milhões de habitantes e um Estado ainda não consolidado em leis. Bangladesh é outro país muçulmano e tem 150 milhões de habitantes. Índia e China, ambas potências atômicas, não têm história de boa convivência. Paquistão tem fronteira com uma região do Afeganistão onde se imagina que viva Bin Laden, o líder do Al-Qaeda.
Os grupos associados no Al-Qaeda como todas as organizações terroristas, tentam obter armas nucleares e químicas que lhes dariam imenso poder de imposição de suas idéias e objetivos. Paquistão tem tais armas.
Hoje Israel, nascida um ano depois da independência indu, lembrava em encontros intelectuais, novembro de 1947, quando a Assembleia
Geral especial das Nações Unidas, presidida pelo gaúcho Oswaldo Aranha, aprovou a partilha do que restava da ex-província turco-otomana da Palestina depois de criado o emirado da Transjordânia, hoje reino da Jordânia, em dois terços da sua área. A resolução previa a criação de um Estado árabe-palestino e um Estado judeu. Não houve festas. O país lamentava seus mortos no ato terrorista cometido contra a Índia. E os jovens soldados feridos no ataque por foguetes Qassam vindos de Gaza. Na região existe um quibutz (fazenda socializada) há uns 60,anos. A linha de fronteira é mesmo uma linha. Sem exagero, pode-se dar um alô de um lado para o outro. Ver como o outro lado vive. Mas é proibido o contato. São inimigos.
O quibutz é uma das passagens que são usadas no fornecimento de combustível e alimentos de Israel para Gaza, que depende do Estado judeu até para seus serviços telefônicos. Gaza é a cidade central da estreita faixa de terra de 400 quilômetros do mesmo nome habitados por cerca de um milhão e 200 ou 300 mil palestinos, que nem Jordânia nem Egito quiseram assumir.
O Hamas (Movimento Islâmico de Resistência) chegou a ser parte do governo da Autoridade Palestina, entidade criada para ser a autoridade central dos palestinos, e passo para a criação do Estado palestino dependente. Desentendeu-se com seu parceiro maior, o Fatah. Assumiu Gaza, onde cria uma entidade islâmica. Daí, na pratica, existirem dois micro-projetos de um Estado palestino: Fatah em Ramala e Hamas em Gaza. Complicando-se ainda mais o até agora insolúvel problema de criação do Estado.
Sessenta e um anos depois da partilha existe um Estado judeu desenvolvido econômica e militarmente. Mas não se
implantou o Estado árabe.
De Gaza chegam mísseis Qassam. Hoje caíram num acampamento de soldados ferindo gravemente alguns. Gaza é uma área sob cerco israelense e egípcio. A opinião pública israelense pressiona há anos para que o Hamas e associados recebam resposta suficiente para suspender suas ações.
O ministro da Defesa Ehud Barak, líder do Partido Trabalhista, resiste alegando que todos os meios devem ser testados antes de recorrer a operação militar que teria elevados custos humanos de ambos lados. O Hamas tem em seu programa o compromisso de eliminar Israel. Os fundamentalistas islâmicos consideram que o Islã inspirado no Corão, o último testamento de Deus, é a única religião verdadeira. Hoje o vice-primeiro ministro israelense da Defesa previu que a hora da réplica esta chegando. Pode ser retórica. Pode ser verdade.

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