05/11 - 16:58 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Nahum Sirotsky - Obama tem pressa. Precisa organizar a equipe que vai receber a herança do presidente Bush e um novo ministério. Os nomes que circulam são palpitados. Mas, parafraseando Anaxogora, filósofo grego de 450 antes de Cristo, nada vem a ser nem é destruído, pois tudo é uma agregação do antes.
Daí, Lavoisier, filósofo francês do século 18, emitir sua lei de que nas reações químicas nada se cria nem se destrói ao que se acrescentou, se transforma. Nós, jornalistas, por observação e experiência, preferimos dizer que nada se cria ou se destrói, tudo se copia, o que aplicamos sem dó nem piedade a nós mesmos e ao que relatamos.
O presidente eleito vai receber uma mistura de questões e mudar tudo. Na prática, promover transformações, pois não existe começar do zero como disse em seu discurso da vitória.
Uma das questões será discutida no domingo, em Sharm el Sheik, magnífica cidade de veraneio construída pelo Egito no deserto, é a do aparentemente irremovível e inelástico conflito israelense-palestino, que tem profunda influência nas relações e imagem dos Estados Unidos no Oriente Médio e, por conseqüência, por sua complexidade e simplismo com que é apreciada, pelos quatro cantos.
Obama tem o compromisso de reconquistar amigos. Condoleeza Rice, a secretária de Estado do presidente Bush, e a afro-americana de maior influência no governo dele, volta à região na qual já esteve mais de vinte vezes nos últimos anos para a última tentativa de promover um entendimento entre israelenses e palestinos e, por conseqüência, se realizado, entre Israel e o mundo árabe em geral, e a imediata redução do anti-americanismo.
Israel, no momento, tem um primeiro ministro demissionário que aguarda substituição, o que só tende a acontecer depois de realizadas eleições gerais nos primeiros meses de 2009.
Governo sem condições políticas para decisões mais audaciosas, Rice tem cerca de zero de chance de sucesso. No domingo, Condoleeza estará em Sharm el–Sheik numa reunião do Quarteto Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Européia - autor do plano de paz que se procura aplicar há anos. Então, a atual Ministra do Exterior do governo interino,Tzipi Livni, líder do Kadima, partido majoritário, que apesar de designada não conseguiu atrair parceiros para um novo governo, mas acredita ganhará eleições e terá uma nova chance de ser primeira ministra, prestará depoimento sobre como entende que seja o estado das negociações.
Ahmed Qarei, chefe do grupo negociador da paz pelo lado palestino fará o mesmo. Não se esperam maiores resultados, mas circula que Rice teria preparado um documento abrangendo desde o histórico de suas tentativas e sugestões ao que se poderá tentar no governo Obama, que terá de incluir a questão entre suas prioridades.
E já há quem diga que ela poderá ser convidada a ser o embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, pois tem o perfil ideal: é republicana, de vasta experiência acumulada em política externa. Circula, pois não é decisão que se faça, antes de se ter um secretário de Estado, um ministro do Exterior. E é bobagem cobrar de Obama a promessa de começar tudo do zero como prometeu.
Obama, apesar de suas origens e inédito sucesso, não é Aladim nem tem mágico a disposição. Logo, logo estará de cabelos grisalhos no esforço de transformar o que Bush lhe entregará, uma mistura infernal de problemas como matéria para a combinação salvadora do país.
Os gregos tinham razão: a questão é a da fórmula transformadora que, paradoxalmente, não chegou sequer a ser debatida na campanha eleitoral que foi de muita retórica e pouco de concreto.

Publicidade
UE parabeniza Obama e diz que eleição reforça aliança com EUA
Obama aparece na frente de McCain em nova pesquisa de intenção de voto