27/10 - 10:00 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Pela primeira vez na história política americana a internet comprovou-se um veículo poderoso. É impossível afirmar com segurança o provável vencedor do pleito, pois a internet deve influir até o último instante sobre os que irão votar, sempre pouco mais de 50% do eleitorado. Lá, o voto é dever cívico sem ser obrigação.
A campanha está sendo a mais prolongada e a mais dispendiosa da história. Estimam-se em 5,3 bilhões de dólares os gastos com a disputa da presidência e congressionais. Apesar da crise, as empresas presentes na Bolsa e Wall Street foram as que mais contribuiram. Apenas na campanha presidencial os custos chegaram a ceca de 2,5 bilhões. E Barack Obama arrecadou mais e vem gastando quatro vezes mais que o republicano John McCain.
Assim, ele ousou surpreender sua campanha e viajar por dois dias para o Havaí, ao leito de hospital de sua avó que o criou e não crê que viva até o dia decisivo. A mãe morreu de câncer em 1995 sem a presença dele, ocupado com a política. Não quis repetir o mesmo erro. Os dirigentes do Partido Democrata entraram em pânico pois já têm a experiência do candidato vitorioso nas pesquisas e derrotado nas eleições. George Bush, o republicano, venceu na justiça. Nunca se sabe.
Mas, quem vencer leva a mais grave crise econômica para a qual ainda não se sabe a solução, apenas tendo a certeza de que, como peste, ainda vai causar imensas catástrofes. No quadro como o que vai herdar, o presidente não terá condições de realizar obra alguma. Vai sofrer pois no sistema presidencialista é ele quem decide tudo.
No Velho Testamento, versão hebraica, está escrito que no começo era o caos. A crise é a condição e necessidade da mais profunda reforma do sistema financeiro internacional e do sistema do comércio internacional numa reforma mínima. A crise global exige tratamento global, mas é duvidoso que os líderes tenham condições de fazer o necessário. Vai ser mais uma série de remendos.
A diferença do político e do estadista é que o político só pensa nas próximas eleições enquanto o estadista tem visão do futuro. Por azar, no nosso mundo só tem políticos. Não são parteiros do novo. Não sabem criar ordem no caos.
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