24/10 - 20:37 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Nos primeiros dias da crise era óbvio, apesar de não discutido, de que teria havido manipulação contábil. Há dias, atento ao depoimento do ex-presidente do Banco Central americano, Fed, no Senado Federal, verificou-se que ele admitiu ter cometido um erro. No caso, os grandes bancos de investimento americanos acreditaram que o mercado tinha força suficiente para se auto-regular.
Em termos mais simples, as leis naturais do mercado não funcionaram. Ele ignorou seu grande erro, que ainda assim não é comentado. No mesmo dia, um jornal americano lembrou que dirigentes daquelas instituições maximizavam lucros a partir de todos os meios, pois deles dependiam seus ganhos que chegavam até US$ 60 milhões.
Misturavam títulos podres com valores irrecuperáveis e títulos de boa qualidade, e os passavam adiante por um bom dinheiro. Assim foi até a falência de uma delas, revelando “distrações” em balanços e implantando a desconfiança no mercado, cujos custos para a economia mundial e o sofrimento causado a vários povos ainda não são inteiramente conhecidos.
O erro fatal do ex-presidente do Banco Central americano, que ele não admitiu, foi o de optar por ignorar a natureza humana. O homem manipula tudo o que quer. Como na máxima “onde tem poder tem corrupção”, onde tem poder absoluto tem corrupção absoluta. Foi mesmo vigarice o que precipitou a crise.
Não se resistiu à possibilidade de ganhar um salário e participação de até US$ 60 milhões por ano. Foi onde tudo começou, pelo poder político e financeiro de influência das corporações financeiras opondo-se a regulamentações mais exigentes. Acontece em todos os cantos. Confiança perdida, que só será reconquistada com muito trabalho honesto, por muito tempo.

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