21/10 - 17:38 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Pelas informações que chegam dos Estados Unidos, já está assegurada a vitória de Barack Obama. Segundo as pesquisas, ele leva grande vantagem sobre John McCain. Mas pesquisa não é o mesmo que eleição. São preferências do cidadão em resposta a perguntas de cientistas da opinião publica. E, ao que me consta, a técnica é a mesma, não mudou com a internet e seus derivados.
Nos Estados Unidos o voto não é obrigatório. É direito: vota quem quer e não há punição para quem não vota. E há outro aspecto pouco divulgado: a eleição do presidente é indireta. Um Colégio Eleitoral de poucas centenas de delegados é quem indica o vencedor. Cada Estado elege um número de delegados em função do número de habitantes.
Pelas pesquisas, Obama já tem um número mais do que suficiente de delegados que prometem votar nele. Aliás, trata-se de tradição, pois não é crime um delegado não votar segundo a vontade dos que o escolheram. É daí que literalmente cada voto de cada cidadão de cada Estado seja importante? O voto é por Estado, não é nacional como no Brasil. Urge ganhar Estado por Estado. Já aconteceu de pesquisas anteciparem vitória de quem acabou derrotado na soma final dos eleitores do Colégio.
John Kennedy, que acabou sendo assassinado em uma visita presidencial a Dallas, Texas, foi o primeiro e último católico eleito presidente. Ganhou obtendo eleição de delegados em Chicago. Por maioria de pouco mais de cem mil votos no total do voto popular. Bush ganhou sua primeira eleição com o Colégio Eleitoral da Flórida, Estado governado por seu irmão. Ganhou na Justiça.
Obama, como se sabe, é o primeiro afro-americano a ter todas as possibilidades de ser o escolhido. Mas ainda não se testou a força da internet na promoção de um candidato, de conquistar o eleitorado sem partido, de convencer o americano a ir votar, da influência que ela pode exercer nos últimos minutos antes da votação. Obama já entrou para a história, mas é só na contagem dos votos que saberemos se ele receberá as chaves da Casa Branca.
Foi ele quem mais gastou em propaganda em todas as mídias. Bem mais jovem do que McCain, percorreu e fez comícios em todos os Estados e em inúmeras pequenas cidades. McCain também não descansa. As mulheres de cada candidato estão na estrada trabalhando. Os candidatos a vice são incansáveis. Como antigamente, antes da televisão e da internet, mostram-se pessoalmente. É uma cansativa disputa, pois, por experiência, pesquisa não é voto e não raro recolhe respostas falsas. Na eleição atual, tal possibilidade é grande, pois o preconceito não está na moda, mas existe.

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