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A disputa pela herança de Bush

15/10 - 19:07 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

Daqui a alguns dias os americanos elegerão o seu próximo presidente. A disputa pela herança de Bush começou antes da explosão da crise econômica, e a herança de problemas que disputavam já era apreciável: um anti-americanismo inédito em sua extensão, ações de política externa em frangalhos pelos seus fracassos, uma gigantesca  dívida publica etc. Pobre vencedor.

Espero que ninguém imagine que a crise está perto de ser superada. Se acertarem, é coisa para boa parte do primeiro mandato do futuro presidente. A dívida pública, por outro lado, traduz-se no ato de hipotecar décadas do futuro do povo americano, que é quem pagará. Só em países menos desenvolvidos é que se confunde o poder do governo de criar e cobrar taxas e impostos ou imprimir moeda, com instituição de recursos próprios.

Ficando apenas em política externa, Bush imaginou promover solução do conflito israelense-palestino e, tal como os governos anteriores, fracassa. Declarou guerra ao terrorismo em tons e termos como se soubesse como derrotá-lo. Nada. Começou esta sua guerra com a invasão do Afeganistão, onde imaginou ter derrotado o Talibã, que abrigava e protegia Bin Laden e a Al Qaeda que ele criara. Invadiu o Iraque, que imaginou transformar numa democracia modelar para o mundo islâmico do Oriente Médio. Não deu. E fez muito, muito mais, tal como impedir que o Irã venha a ser potência nuclear.

O próximo presidente vai presidir os Estados Unidos que perdem sua situação de única grande potência. Nada deu certo, e digo isso sem alegria alguma.  Não se pode manifestar satisfação com um mundo mais perigoso.

Fiquemos apenas no primeiro movimento da guerra contra o terrorismo, aquele no Afeganistão, onde Bush substituiu o governo fundamentalista e atrasado do Talibã por um homem da sua escolha. Depois de anos investindo bilhões no novo governo supostamente democrático, acontece que o Talibâ se reorganizou, se rearmou e voltou a dominar boa parte do país, inclusive a região que é a maior produtora de ópio e heroína do mundo. Diz o general-brigadeiro Mark Carletom-Smith, comandante britânico de tropas que tentam impedir que o Talibã retome o poder, “que as tropas ocidentais jamais poderão ganhar a guerra”. Numa conversa com o jornal londrino “Sunday Times”, insinuou, pois militar não pode se meter em política, que o jeito será tentar meios políticos.

O presidente Karzai, o homem de Washington, informa que o Talibã não quer conversa. Uma das condições que impõe seria a saída de todas as tropas estrangeiras, para só depois considerar a hipótese de negociação. É a mesma estratégia do Irã: em outras palavras, querem que os estrangeiros reconheçam a derrota, voltem a suas casas de rabo entre as pernas. Coitado do que vier a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

 





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