29/08 - 02:46 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Acompanhei todos os momentos da noite em que Obama disse a que veio. Foi muito emocional e pouco profissional. Os erros táticos começaram com os familiares de Martin Luther King e culminaram em Obama. Faltou assessoramento compatível com o tema da campanha.
Assisti a incontáveis convenções políticas. Sempre existe o perigo do candidato confundir a emoção que ele mesmo sente e provoca com terra firme de vitória. A emoção passa e ficam as dúvidas não desfeitas que decidem. Obama, uma figura realmente impressionante, uma revolução pelo seu próprio significado na vida americana, deixou-se dominar pela sua audácia, a emoção. Terá também acontecido com os seus assessores, que não souberam manter distância do personagem. O espetáculo preencheu a noite mas não teve a substância para sustentar a campanha até o fim.
Os familiares de Martin Luther King Jr. homenagearam o pai e procuraram ocupar espaço próprio. Não souberam recordar a grandeza do trabalho realizado pelo grande líder. Falharam por não até no relacionar o significado do histórico discurso do “eu tenho um sonho” com o fenômeno Obama, com o processo de mudança precipitado e ainda longe do sonhado. Não são expressão do que foi o pai.
Obama fez a promessa de mudanças mas não avançou no como. Luther King Junior fez da narração do seu sonho uma visão do futuro possível. Obama pouco qualificou a Mudança prometida. Abriu o flanco para os ataques do candidato republicano, experiente na vida política de Washington e longa intimidade com o poder. McCain, o candidato republicano, que também propõe mudar, só tem a carga dos erros do republicano Bush que, não se pode esquecer, foi eleito e reeleito pelos americanos. E, como presidente, foi primeiro em ir buscar assessores afro-americanos e latinos como são chamados os de origem portoriquenha, mexicana, para aas mais importantes funções.
Evidente que simpatizo com Obama que, eleito, pode rejuvenecer a desgastada imagem de seu pais. Mas ainda é cedo para imaginar o republicano como derrotado. Como escreveu o poeta Drummond de Andrade, há muito pedregulho no caminho de ambos.
Obama vai ter de se corrigir. Ele está eufórico, o que é um perigo. A campanha apenas começa. Mas tem poucas semanas para convencer o país de que sabe o que e como fazer, para que novos caminhos levará o país. Tem o exemplo recente de Hillary Clinton, que foi lançada como vencedora e chegou em último.
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