11/08 - 09:38 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
ISRAEL - O caso georgiano é antigo. E ainda não se sabe exatamente o que acontece. Não esbarrei em nenhuma informação satisfatória. Normal. Os números sobre vítimas até a noite de domingo, quase todas de civis, vão de menos de duzentos a mais de dois mil.
A Rússia atual se define como nação que se tornou independente da União Soviética em 1993, fato que comemora no dia 12 de dezembro. É uma confederaçao que se estende por mais de 17 milhões de quilômetros quadrados, perto de duas vezes os Estados Unidos, e apenas 140 milhões de habitantes. A Geórgia, que se tornou independente da União Soviética também em 1993, é um país de 4 milhões de habitantes, a maioria cristãos, e de 60 mil quilômetros quadrados.
O país tem uma história de mais de mil anos e assumiu o cristianismo 330 anos depois da crucificação. Devido a sua estratégica posição, controla as passagens das montanhas do Cáucaso entre Europa e Ásia. Foi conquistada por quase todos os impérios antes de se liberar do império comunista. Não é rico em riquezas naturais, importa petróleo e gás. A sua renda vem da agricultura e, cada vez mais, de turismo devido a seu clima temperado, lindas praias e povo agradável. País pró-ocidental, a Geórgia tem acordo de cooperação com os Estados Unidos e Europa.
As províncias de Ossétia do Sul e Abkházia, minúsculas, têm maiorias de etnia diferente da Geórgia. Ossétia do Sul, colada em Ossétia do Norte, russa, juto com Abkházia, recebram situação de autonomia decretada por Stálin. A Geórgia nunca se submeteu inteiramente a tal decisão. O comunismo nem acabou com a religiosidade dos povos confederados, nem com o nacionalismo. Quando em fins dos anos oitenta a União Soviética estava em dissolução, ocorreu violento conflito entre os separatistas e a Geórgia. Desde então, as forças das Nações Unidas, os boinas azuis, e forças russas, garantem a paz na região.
Mas a importância do país para os Estados Unidos e Europa, curiosamente, não está sendo sequer citada. De Baku, na Geórgia, parte um óleoduto e um gasoduto, os únicos que não atravessam território russo e servem de meio de transporte de produtores da região para os mercados europeu e americano. O Ocidente não pode nem quer perder esta vantagem estratégica importante no transporte de petróleo e gás de reservas no mar Cáspio, muito ricas e com grande potencial.
Não é questão moral, apenas de compromissos americanos e europeus de preservarem a independência do pequno país, que está na mesa. É interesse fundamental não deixar os russos se imporem por meios militares numa fonte vital de combustível.
Moscou está empenhada em recuperar o status de grande potência da extinta União Soviética. O Ocidente não pode deixar se desmoralizar diante de seus aliados e protegidos. É a questão que tem de acabar por negociações. A alternativa é inimaginável. Existem tropas americanas treinando as forças georgianas, que tem EUA e Israel como fontes de armas. E os russos são teimosos.

Mapa da Geórgia
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