21/07 - 18:37 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Nahum Sirotsky, em Israel – Fannie Mae e Freddie Mac é o casal que mantêm a economia mundial em suspenso. Assim são conhecidos os dois maiores bancos hipotecários dos Estados Unidos, explicando melho,aqueles que sustentavam o mercado imobiliário com a sua compra das hipotecas concedidas aos americanos na aquisição de suas casas.
Estima-se que somem em sua contabilidade um total de 6 trilhões de dólares de papeis adquiridos do sistema convencional de financiamentos de habitações. Com a crise do chamado subprime, o famoso casal, duas instituições criadas por governos americanos para facilitar a compra da casa própria ao povo no que é conhecido como sonho americano, também ficaram com seus cofres abalados. O esvanecimento do crédito foi a mais grave conseqüência da questão do suprime que é um nome sofisticado para esconder uma jogada financeira de vigarista.
Consistia em promover o valor da habitação acima da primeira hipoteca, facilitando novos empréstimos, permitindo aos proprietários a possibilidade de consumir pagando em longas prestações. O subprime logo se popularizou. Os proprietários partiram para o consumo de bens duráveis de todos os tipos.
Bastou a falência de uma pequena empresa que utilizava este meio de emprestar dinheiro obtendo grandes lucros para que a queda viesse em cadeia.
Fannie Mae e Freddie Mac por sua vez passavam adiante as hipotecas adquiridas, que na prática representam uma dívida do governo que é o fiador da economia do casal. A dívida pública americana se soma em trilhões transformados em letras do governo colocadas no mercado. Países como a China, Índia, Arábia Saudita e outros investiram excedentes em letras americanas, o que significa, na prática, que esses papéis foram incorporados aos ativos de inúmeros bancos. O sistema financeiro internacional, pode-se dizer, esta com uma bactéria que se não for dominada poderá provocar a maior crise financeira. É sabido que no mundo globalizado as doenças de uma economia se transmitem rapidamente às demais.
Na noite de segunda-feira ainda estavam sendo examinadas no Congresso propostas do governo para salvar o casal de um abalo financeiro decisivo e, por conseqüência, sustentar a confiança internacional no potencial da economia americana. Na alternativa pode acontecer um enfraquecimento desta confiança que se estenderá por anos.
A questão da Fannie Mae e Freddie Mac, cognomes das empresas pelos quais são conhecidas, está fazendo com que pelo mundo governos e bancos, hesitem em aplicar em dólares, moeda na qual diminui dia-a-dia a confiança.
Quanto mais tempo demorar a decisão do Congresso americano em aprovar as medidas de salvação, mais aumentam as suspeitas de que os Estados Unidos talvez não possam aplicar o suficiente para a salvação das duas empresas.
Há muitas décadas o então jovem professor de ciências políticas da Universidade de Harvard, Henry Kissinger, que viria a ser um dos maiores homens do século, escreveu um livro com o titulo de “Pensando o Impensável” sobre o poder destrutivo das armas nucleares. Ninguém do meio financeiro na atualidade quer imaginar o que acontecerá com a economia internacional, se o casal Fannie Mae e Freddie Mac não receber o tratamento adequado.

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