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O dólar está matando

10/07 - 17:05 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

Nahum Sirotsky, Israel - Stanley Fisher, destacado economista americano, é o presidente do Banco Central de Israel. Seu trabalho ocupa dias e noites. Ele tem de cuidar da moeda, contribuir na luta contra a inflação num paísinho de menos população do que a cidade do Rio, uma imprensa de críticos especializados, imagem de potência militar, muito complicado.

O seu BC está com política de comprar cem milhões de dólares por mês tentando reduzir o impacto da desvalorização de moeda americana sobre as atividades de Israel. O shekel, a moeda israelense, ficou muito forte. Só como exemplo de seus efeitos a venda de habitações que era em dólar passou para shekel. Os empresários israelenses protestam contra a fraqueza do dólar que se reflete na queda das exportações e, por conseqüência, seus empreendimentos. Tem gente que bota protótipos na a bagagem, conta-se, viaja pra China onde faz a produção que importa para poder revender com lucro.

O “Sontags Zeitung”, jornaL de domingo suíço, citado pelo “Earth Times”, do dia 10 , diz que a atual crise pode chegar a um prejuízo financeiro de um trilhão e 600 bilhões de dólares para as instituições financeiras. A fonte do jornal suíço foi identificada como o fundo “BridgeWater Associates”, um dos maiores do mercado. A previsão é de que a crise se estenda até 2009. Tanto são pessimistas as expectativas que o equivalente americano ao Banco Central, que já emprestou dezenas de bilhões ao sistema financeiro, continua com sua caixa aberta. Tais valores não desaparecem nem por mágicas dos que fazem a contabilidade das empresas e sabem tudo. Onde está o dinheiro perdido?

Mas, ao estimarem perdas financeiras não se incluem falências, perdas de emprego, prejuízos sofridos direta e indiretamente por assalariados. O sofrimento e a derrota dos sonhos de milhões e milhões, o prejuízo individual, econômico e moral, da queda do dólar não está estimado. Mudou a face do mundo. O dólar no chão, o petróleo nas alturas. A inflação nos custos de alimentos. A desestabilização global. A necessidade de repensar o funcionamento das economias. Remédios econômicos testados que não são mais eficazes em casos de fenômenos semelhantes do passado. Semelhantes, mas nunca iguais. Registrados na historia só que não existe o igual.

A incompleta cooperação dos países mais ricos não tem sido suficiente. As instituições internacionais criadas antes das transformações das relações pelo desenvolvimento das comunicações mostram-se obsoletas. O conservadorismo do pensamento das lideranças formadas num contexto que foi superado resulta em decisões tímidas que equivalem a botar um automóvel comum disputando Formula Um. O pior ainda está para vir, dizem uns, já passou, opinam outros. Não se sabe, em verdade, o real alcance do esquema vigarista da falsa valorização imobiliária nos Estados Unidos, o esquema do subprime que estourou como bolha de sabão e espalhou seu interior apodrecido pelo mundo.





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