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Europa acredita que é possível a paz este ano

28/06 - 18:50 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

Há instantes ouvi que Condoleezza Rice, a secretaria de Estado americana, convidou os ministros de Israel e Palestina incumbidos de negociarem um acordo de paz a viajarem a Washington. Bush e ela não desistem de promover as condições para a proclamação de um estado palestino independente até o fim do ano corrente. Seria um feito para marcar o infeliz governo Bush com um final do que parece ser impossível.

Estou consciente da alienação brasileira com relação ao mundo. Leio os nossos jornais. Vejo noticiários. É grave falha. Dependemos do que acontece no mundo, queiramos ou não, até para o nosso feijão.

Javier Solana é o chefe das relações externas da União Européia. E fez interessantes revelações num texto que li em “Al- Aharan”, semanário egípcio em sua versão inglesa. Ele afirma que “os contornos de uma solução do conflito com a concretização da hipótese de dois estados, Israel e Palestina, já são visíveis”. Uma paz na região é objetivo estratégico para a União Européia. E, informa, naquele sentido a Europa vem liderando o esforço internacional de criação da necessária infra-estrutura de um Estado, as instituições em geral que ordenam o funcionamento de todos os serviços que devem prestar aos cidadãos por direito natural e o que pagam em impostos por tudo.

“Um aspecto importante deste trabalho é devotado à segurança individual e pública e o respeito às leis do país”, afirma. E disse que a reunião de ministros do exterior realizada em Berlim cuidou inclusive de prever recursos para financiar um pacote que inclui o preparo de uma polícia civil e a Justiça criminal”. Prevêm-se todos os passos necessários para nascer um estado palestino com fortes bases em instituições democráticas cuja principal característica é o respeito à Lei.

Solana revela o que pouco se tem falado. A Europa assiste na implantação de fatos concretos. Não se limita a doar dinheiro. Assim, a missão da policia européia chamada de “EuroPol Corps” (Corpo Policial Europeu) realiza missão educadora desde 2005! – Juro que ignorava. A missão inclui gente do Canadá, Noruega e Suíça “em estreita coordenação com nossos aliados americanos”. “Um estado palestino democrático necessita de polícia civil bem treinada e um judiciário competente e sério.” Os resultados são visíveis. A Autoridade Palestina está deslocando novas forças para a segurança de um número crescente de cidades substituindo a tropa israelense. “Para que o sistema democrático tenha apoio e se enraíze na consciência dos cidadãos urge que o povo sinta melhora de sua vida e segurança”, escreve Solana, o que é o obvio muito esquecido pelas bandas sul-americanas. O povo deve ter liberdade de movimentos. Bons meios de transporte, acesso a empregos e escolas, assistência médica e sanitária. O ambiente deve ser propicio a investimentos e iniciativas com políticas confiáveis. A Palestina precisa nascer com todos os meios para prosperar e ser um bom vizinho para Israel, diz.

Solana, a voz da Europa, afirma que sinais encorajam a esperar o fim do conflito ainda em 2008.

São ainda inúmeros os obstáculos. Os palestinos, por exemplo, precisam dar um fim ao conflito entre eles. A calmaria, que é como se chama o acordo promovido pelos egípcios entre Israel e Hamas, o grupo islâmico que domina Gaza e está rompido com a Autoridade Palestina que domina o chamado Braço Ocidental do Jordão, precisa ser mantida. E Israel enfrenta uma crise política interna que pode resultar em novo governo.

E é verdade que o inferno está lotado de bem intencionados. Mas, entre nós, se a absoluta maioria dos indivíduos não preferisse tranqüilidade e respeitassem a lei, não estaríamos, a maioria, vivendo nossa normalidade. E como dizemos em casa, o futuro a Deus pertence. São mais de 60 anos de conflito.




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