17/06 - 17:13 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Nahum Sirotsky, em Israel – Há um grande movimento diplomático no Oriente Médio por iniciativas locais. Aparentemente a de Bush já está no escanteio.
Nas horas atuais, o Egito informa que estão nos últimos detalhes as negociações para um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Esta é a organização política, religiosa, militar que tem o controle de Gaza, parte importante do que se imagina que virá a ser um dia o Estado Palestino que Bush queria como seu grande feito antes de passar o governo para o sucessor. O Egito é o mediador e o que deve garantir o acatamento do compromisso que for assumido. Israel e Hamas não conversam diretamente. As primeiras ações do cessar-fogo seriam na próxima quinta.
A civilização ocidental, afirmam historiadores, começou nesta região do mundo, quando tribos de nômades humanos vindas da Ásia pararam no encontro dos grandes rios, o Tigre e o Eufrates. Alguém percebeu que o que caia no solo crescia e se reproduzia. Era possível plantar e colher alimentos. E assim descobriram a agricultura.
Muitos milhares de anos depois, milhões dizem os sábios, na mesma região um primitivo criador e agricultor teve a intuição de um Deus único. E Abrão inspirou a revolução do monoteísmo. Foi na região onde surgiu a língua escrita.
O ministro da Defesa de Israel, Barak, insiste em que ainda é precoce anunciar um cessar-fogo. Na verdade, Israel e Hamas se preparam para um passo para o melhor sem interromperem seus preparativos para o pior. Um cessar-fogo convém ao grupo palestino, que poderá apresentá-lo como uma vitória.
Foi retirada unilateral de Israel de Gaza que o Hamas clamou como vitória e ganhou as únicas eleições democráticas palestinas. Ele precisa do que está em gestação para poder alimentar ao seu cercado pedaço palestino. Uma operação militar israelense maciça tenderia a elevado custo em vidas de sua tropa e muitas vítimas civis, pois seria luta urbana na qual é inevitável vitimas de inocentes.
São imprevisíveis suas repercussões no mundo árabe. Pode fazer explodir toda a região. Os países árabes ricos não querem guerra agora. Nos países pobres sem petróleo a massa está inquieta demais pela inflação, custos e até falta de alimentos. Seus governos são impopulares. Uma guerra pode desestabilizar tudo.
Fala-se de que por mediação da Turquia, os israelenses e sírios se aproximam de um acordo de paz. E que os sírios trabalham para que o Hezbollah, a guerrilha-exército que domina o sul do Líbano, chegue a um entendimento com Israel sobre troca de prisioneiros como um passo para melhores dias.
Mas se arrastam as negociações diretas entre Israel e a Autoridade Palestina de Mahmoud Abbas por uma paz. Abbas está em desentendimento com o Hamas. E pelo que se sabe, o possível cessar-fogo de Israel com o Hamas poderá atrasar ainda mais a marcha da paz com os palestinos em geral. Hoje é segunda. Ainda faltam dias para quinta. Há quem especule que até lá o Hamas pensaria em realizar operação de ataque a Israel como prova de que o cessar-fogo foi vitória militar sua. E que Israel pensa em algo semelhante e oposto para provar o contrário.
Acreditem que é verdade. De Buenos Aires jornal argentino ligou para jornalistas brasileiros e argentinos em Israel, não imagino a razão a não ser angústia portenha. Pedira opiniões sobre o jogo que aqui será visto de madrugada. Do jeito em que anda a equipe de Dunga, me limitei a responder que DESEJO vitória brasileira, mas não aposto. Como não aposto na eficácia do cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

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