12/05 - 14:18 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
TEL AVIV – Na análise de situações, sempre me esforço em fugir de preconceitos, mas nem sempre sou bem-sucedido. Objetividade é inalcançável, pois depende de um complexo de fatores como demonstra o noticiário sobre a desgraça de Mianmar onde já morreram 60 mil devido ao ciclone e muitos mais esperam o fim, impotentes.
Não há dúvidas da miopia do sistema que manda no país. Uma ditadura burra como todas as ditaduras quebra a espinha de quem ousa pensar com o que condena o pais a incontáveis desgraças. Todas as ditaduras acabaram em fracasso. O maior exemplo foi a queda da União Soviética no vazio que ela mesma criou. Mianmar é um trágico fracasso. Não se pode escrever a respeito sem lembrar a dureza de seu policialismo. Culpar o regime pela demora e insuficiência da ajuda internacional que se procurou levar ao seu povo.
A experiência de casos necessitando socorro urgente ensina muito que é ignorado. A oposição a que o socorro vá direto ao povo é conhecida, pois os ditadores escondem a verdade. Quanto mais sectária a ditadura mais ela resiste a que o povo veja que a ajuda vem de países que se opõem ao regime. Aconteceu em Mianmar que então, sem alternativas, abre-se para as Nações Unidas que são todos os países e nenhum em particular. E a ONU, que virou uma gigantesca burocracia, é ineficiente.
A história ensina que toda a burocracia acaba viciada e dominada pelos interesses do grupo. Conservar e expandir seus poderes são prioridades em todas as suas ações. Salário, vantagens, domínio de seu campo de ação. No Brasil, por exemplo, as diferenças públicas entre ministros são disto exemplos. O importante passa a ser quem domina recursos não o que deve ser feito.
Ao que se sabe, cinco instituições das Nações Unidas com responsabilidades afins operam em Mianmar. E disputam entre elas quem assume o quê. E no final a ajuda passa por armazéns antes de chegar aos necessitados. E é comum que acabe boa parte no controle de elementos do governo que se aproveitam e transformam doações em bons negócios.
O gigantismo da burocracia da ONU foi admitido até por comissões internas de estudo e secretários gerais. Urge, aconselham, profundas reformas da estrutura. Não é acionada por resistências internas. Cada grupo quer preservar seus empregos. O resultado é desperdício de recursos humanos e materiais e do prestigio da ONU. No caso do drama de Mianmar isto é tão óbvio que se pode entender o que acontece, o que não se comenta pelo natural preconceito ao regime, mas não é bom jornalismo.

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