07/05 - 18:01 , atualizada às 12:30 08/05 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
TEL AVIV - Os israelenses gostam de lembrar a gagueira do profeta Moisés. Dizem que uma vez Moisés, já no deserto, ouviu Deus lhe perguntar para onde queria levar povo. Moisés parou tanto tempo em “Ca..ca... cá” que Deus perdeu a paciência e mandou para Canaã. Ele queria o Canadá. Em Israel não há petróleo, nem gás, nem água, nem boas terras.
O país é passagem terrestre obrigatória da Europa para África e Ásia. Todos os grandes conquistadores deixaram aqui suas marcas. Aos israelenses a alternativa de um Estado de altas tecnologias seria o subdesenvolvimento ou pior. A democracia, um judiciário respeitável e a adoção do hebreu bíblico como língua foram os elementos fundamentais na criação de um Estado com gente de 150 países diferentes falando línguas diferentes,de etnias e tradições diferentes até práticas religiosas diferentes. São os formadores da nação.
Os judeus de origem ibérica tinham um espanhol dos tempos da expulsão como língua comum. Os judeus com origem na Europa central tinham o idish, corruptela do alemão. Os judeus dos países árabes preferiam o árabe. Mas o hebraico era língua da Bíblia, das rezas, antigo de milhares de anos, irrecusável. O país se criou e cresceu devido lideranças inteligentes. Mesmo sustentando os elevados custos da defesa nunca deixaram de apoiar a educação e as pesquisas cientificas e tecnológicas, a sua aplicação econômica, e criando facilidades para os imigrantes.
O país passou da fase do socialismo romântico do kibutz para uma economia capitalista de mercado exportadora de produtos de alta tecnologia. E a uma população superior a sete milhões e 200 mil da qual cerca de 2% de árabes, drusos, curdos, beduínos. E expectativa de vida de 80 anos. Das mais altas do mundo, descontadas as guerras. Um país sem Constituição como a Grã-Bretanha, porém, com leis inspiradas nas leis otomanas, ingleses, romanas, judaicas. A Comissão de Justiça do Parlamento trabalha na hipótese de uma Constituição há cinco anos ainda sem satisfazer uma população de cerca de 75% judia secular e apenas de 10% de ortodoxos. Depende da importação de petróleo e matérias primas. Uma agricultura científica assegura o abastecimento com exceção de cereais.
Os 60 anos também comemoram a multiplicação por 60 de seu produto que chega a US$ 185 bilhões em termos da paridade de seu poder de consumo. A renda per capita se aproxima dos 27 mil dólares. Outro paradoxo é que os países de maior crescimento populacional são os mais pobres. A população de Israel foi multiplicada por dez em 60 anos. O país se caracteriza por sua filosofia de constante inovação. E para isto tem sido fundamental sua política de atrair imigrantes. Aliás palavra que se traduz por ascensão devido a altura de Jerusalém onde ficava o Templo.
Chega a ser inacreditável que boa parte dos softwares em uso no mundo se originaram em Israel como o ICq, firewall. Incontáveis. Exporta softwares no valor anual de três bilhões de dólares. Só o Vale do Silício, nos EUA, tem mais empresas de informática. Tem altamente sofisticada indústria de armamentos nas quais trabalham mais de 20 mil cientistas. Poucos sabem que tecnologias de Israel são fundamentais aos sistemas de segurança do Vaticano e da Torre Eiffel, ou aeroportos como Heathrow de Londres. Empresas de Israel cooperam em tecnologias brasileiras.
Algumas de suas universidades têm destaque internacional pela sua excelência. Tel Aviv é importante centro cultural com suas filarmônicas, ópera, balé, teatro. Mas excetuados acordos de paz com o Egito e Jordânia, ainda não se pode ter certeza de viabilidade de um entendimento com os palestinos. E, por conseqüência não vive em paz no Oriente Médio. E se sente ameaçado pelo programa atômico do Irã.

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