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Em época alguma 60 anos foram suficientes para criar um país

07/05 - 18:00 , atualizada às 12:31 08/05 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

TEL AVIV - Maio é mês de dolorosas recordações e registro de grande feito. Israel, único Estado judeu, recorda os seis milhões que foram massacrados na Europa dominada pelos nazistas na 2ª Guerra Mundial. E os 22 mil e 500 jovens- moças e rapazes – caídos em sete guerras e inúmeros confrontos. Logo depois dos dias de tristeza chega o dia em que se comemora 1948 quando uma comunidade de 500 mil indivíduos ousou proclamar sua independência como país. Resolução das Nações Unidas de 1947, em assembléia presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, previra a criação de um país judeu e outro árabe. Em época alguma 60 anos foram suficientes para criar um país. Nos dias atuais até indivíduos vivem mais em média.

 

Ver o Museu  do Holocausto com os seus  milhões de nomes   inscritos   para serem lembrados, percorrer os  cemitérios  militares   nos quais   a  grande maioria de túmulos é de jovens entre   18  e 22 anos, emociona  os mais  endurecidos. E tudo  termina   na noite do dia  sete  até  a noite  do dia  seguinte, a medida  do dia   do calendário  lunar judeu,  em  grandes festejos  pelo dia da Independência. A   intenção  dos que  organizaram o Calendário foi a  de  destacar a vida   e esperanças   como os valores  maiores a serem  preservado. Como na incomparável  literatura bíblica,  a imperfeição do ser humano  e  o dever  de  jamais  deixar de  tentar aperfeiçoá-lo  são  o significado.

No mesmo  dia   7   os árabes  palestinos  lamentam o Nakba, o dia da  tragédia   como   o qualificam, quando centenas de milhares deixaram seus  lares e se transformaram em refugiados. Ignoro  as estatísticas das  perdas árabes. Mas  nem  judeus  nem  árabes  palestinos podem  considerar  que os anos  passados   tornaram a ambos  mais provectos. Não há sinais de  realização da   idéia das Nações Unidas de  país  judeu e outro árabe  convivendo  em boa  vizinhança. Não há shalom nem saalam, paz. Mas os judeus construíram  uma sociedade invejável por seu   desenvolvimento  numa área  de 20  mil quilômetros quadrados em grande parte areais, e   nada de recursos   naturais, única democracia  no  Oriente Médio.  Pelo que  se  pode qualificar de  graves erros pelas conseqüências  resultantes, os   palestinos   não realizaram sua parte.

O Estado  judeu  foi proclamado contra a oposição do General  Marshall, secretario  de Estado , e  ex-Chefe do Estado  maior das forças armadas americanas na 2ª Guerra  Mundial, sob a alegação de que seria o suicídio dos  judeus. Os árabes estavam  bem  armados e treinados  por oficiais  ingleses. Seria um massacre. Mas Davi Ben  Gurion, líder dos judeus, declarou  que  o momento era aquele   ou nunca mais. O ataque de forças  de sete paises árabes logo  foi desencadeado. As forças árabes tinham  superioridade   na   estimativa delas    e dos serviços  de inteligência  americanos, ingleses, russos, de todos. Mas  os cálculos não incluíram    a motivação do desespero dos  judeus logo reforçados por  sobreviventes de campos de concentração alemães que saíam direto dos navios que os traziam da Europa para a luta  para a qual até ignoravam o uso de armas.

E  o conflito  terminou    num armistício. Sem abastecimentos e   com acesso a armas bloqueado os novos  israelenses se tornaram soldados. E  a cada dia as lideranças   aperfeiçoavam  a implantação da infra-estrutura fundamental ao funcionamento de um Estado. O movimento kibutziano aplicou-se em  transformar   suas   fazendas  coletivas em  meios de ocupação de terreno, sistemas de defesa,  campos de produção  de alimentos, a raiz  que  fez  da tecnologia  agrícola de  Israel a mais inovadora, por muito tempo. Um dos criadores  do  país, e seu primeiro  presidente,  o cientifica  Chaim Weizman, tinha  criado a  Universidade de Jerusalém  nos anos trinta  argumentando que  a  inteligência   seria   o grande recurso natural  do país  com o que  ele e  os sionistas sonhavam. Anos antes uns poucos  operários judeus haviam criado a Confederação  Nacional dos Trabalhadores   Histradut,  para  criar  um proletariado e  empregos. Durante os anos  iniciais  do Estado a Histradut,confederação de sindicatos,   concentrou    a parte maior da  economia israelense.





 

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