06/04 - 18:13 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
ISRAEL - Serão cinco dias. Israel realiza o maior excercício de defesa civil da sua história na semana que entra. Na terça soarão as sirenes. E a população terá de correr para os abrigos mais pertos. Terá 15 segundos, o tempo em que se observa um míssil a caminho e o momento em que explode.
Mesmo de mentira é impossível não sentir o coração bater mais rápido. E, no meu caso, o pior é que sofro de claustrofobia e estou com o joelho machucado. Não dá para correr e não entro em abrigo. Prefiro ficar em casa na espera. É o jeito. Foi assim na guerra com o Hizbalá e outras. Aliás, numa delas, indo a frente, coloquei-me em pé num buraco para observar a batalha aérea noturna. Acreditei pela primeira e ultima vez que obuz não cai duas vezes no mesmo local. Besteira..
O excercício serve para se verificar todas as possíveis falhas na hora da verdade. É assim que das primeiras coisas é contar quanto tempo o governo leva para se reunir e começar a tomar decisões.
O sistema de decisões tem de funcionar sem falhas. Numa democracia é o poder civil aquele que determina a resposta militar. O governo terá duas reuniões de emergência. Ninguém será prevenido. Tem de ser como poderá acontecer. Mas, para não assustar demais, a população foi avisada que as sirenes soarão na terça feira. Os serviços de socorro sairão pelas ruas com suas equipes. Os hospitais trabalharão como se estivessem atendendo a muitos milhares de feridos. E isto por todo o país.
Nas guerras atuais todos são parte da frente de batalha. Os civis são atacados por foguetes, aviões não pilotados e etc. Nada divertido. A distância das cidades de Israel as prováveis baterias de mísseis inimigos é contada em segundos...
Nas últimas semanas, Israel mandava mensagens abertas, por meios de comunicação, e declarações de dirigentes do país, aos paises vizinhos deixando claro que não tinha intenção de começar confusão alguma.
Os sírios responderam no mesmo tom.. Mas os libaneses botaram suas pequenas forças em alerta. O Hizbalá, que terá agora mais armas do que na guerra de há dois anos, está sempre preparada.. O Hamas, no sul do pais, Gaza, também tem um arsenal de muitas armas.
Cinco dias de exercício. Horas bastantes para alguém cometer um erro de cálculo num contexto em que não se confia em ninguém. Tomara que não aconteça...
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