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Correspondente iG: Farc tentaram repetir Fidel, mas não conseguiram

03/04 - 09:55 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

O esforço para salvar a ex-candidata a presidência da Colômbia Ingrid Betencourt e as notícias sobre a abertura em Cuba mexeram com as minhas lembranças. Eu estava em Bogotá, capital colombiana, quando começou a violência da qual o país sofre até hoje.

Era 1948. Um grupo de jornalistas brasileiros -Barreto Leite Filho, Antonio Calado, Joel Silveira, e eu – acompanhava a Conferência Interamericana.

Há dias estou relendo “Tempo de Contar”,( Ed.José Olimpio,1993), com recordações de Joel de suas grandes reportagens. Fala do que nos aconteceu em Bogotá, no Bogotaço, explosão do povo em protesto pelo assassinato daquele que desejava eleger presidente.

Também tinha acabado de reler “O Senhor de toda as Armas” de Carlos Alberto Tenório,um livro-reportagem sobre aventura dele junto a guerrilheiros cubanos sob o comando de Fidel Castro (ed. Mauad, 1996) que Joel, que já se foi, qualificou de “excepcional”. Li incontáveis livros de alguns dos maiores repórteres internacionais do século. O de Tenório como o de Joel não perdem atualidade. São de narrativas inimitáveis. E agora me explico.

O livro de Tenório prevê a ascensão de Raúl, então com 27 anos, à chefia do governo cubano como herdeiro legítimo de Fidel. Legítimo por sua competência. Demorou e aconteceu. A  tomada do poder por Fidel resultou de ações de guerrilhas e políticas que conquistaram a nação em  dois anos.

O ditador cubano, Fulgência Batista e seu governo, caíram de podre. O povo cubano se virou contra eles. Sabia-se apenas que Fidel prometia a liberdade e seriedade na administração. O resto veio depois. Cuba, com a doença de Fidel , começa a mudar.O sistema não fez um país desenvolvido. Democrático. Não criou mais riqueza nem a liberdade desejada. sofreu forte oposição externa. Não foi fácil. Mas não é um sucesso. Vai ter de se adaptar ao mundo de hoje.

Fidel chegou às montanhas de Cuba acompanhado de 11 sobreviventes de um grupo de 80 guerrilheiros treinados no México e derrotou um ditador poderosamente armado por ter conquistado o apoio e a confiança da maioria dos cubanos. Muitos dos heróis acabaram sacrificados pela própria revolução.

Tenório insinua que Che Guevara terá sido um deles. Então lembro de tê-lo visto e com ele conversado pela ultima vez em Genebra , Suíça, na primeira Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, em Genebra, Suíça.

E ele me ofereceu charuto cubano que eu, como de outras tantas burrada da minha vida, recusei, alegando que fumava cachimbo. E ele, que sabia de ter sido eu que dirigia a revista Manchete que publicara as reportagens de Tenório,observou: ”Tome-o. É das pouca coisas que a revolução não estragou”. Na hora interpretei como gozação.Pouco depois ele morria na aventura boliviana. Será?
 
As Farc são um movimento e uma guerrilha fracassada. Há décadas que o povo colombiano demonstra que rejeita seus métodos. A guerrilha  tem apoios externos e se financia em boa parte com a venda de drogas. A Colômbia é a maior produtora mundial de cocaína. O que Fidel e 11 jovens dispostos conseguiram em poucos meses As Farc jamais alcançarão. Mao Tsé Tung, o líder da implantação do comunismo na China, dizia que a guerrilha tem de ser como um peixe na água.

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