17/03 - 16:09 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Nahum Sirotsky, em Israel - As bolsas refletem o tufão de origem americana. A globalização é inescapável em todas as suas conseqüências. Nem os Estados Unidos sabem das profundidade e extensão da crise. Novas e péssimas notícias são esperadas terça-feira em Wall Street.
O sistema financeiro e as bolsas são instrumentos fundamentais. Sem crédito e recursos nada funciona. A Bolsa de Valores, num amplo sentido, é insuperável meio de empresas levantarem recursos a baixos custos. Tudo vai bem quando há confiança. Mas foi com verdades virtuais que as empresas do chamado subprime literalmente criaram as condições que levaram à crise.
Na técnica aplicada, promoveram super-valorização de imóveis e convenceram compradores que era um processo em que todos ganhavam. Os papéis, as empresas repassavam. Foi um carnaval. Mas bastou a quebra de um elo para tudo começar desmoronar em efeito domino cuja inércia está longe de se esgotar.
Milhões de indivíduos perderam suas casas e crédito. O pânico se implantou e se auto-alimenta. No caso ainda não se configuraram crimes, pois tudo resultou de atividade não suficientemente regulamentada, nem vigiada. Nos Estados Unidos até a existência do Banco Central está sendo discutida. Novos choques estão vindo como a inflação, aumento dos preços de alimentos e até mesmo falta deles.
O governo egípcio, por exemplo, ordenou às Forças Armadas produzirem o pão que está faltando. Acumulam-se fatores negativos, como o aumento do preço do petróleo.
Em economia, existe a teoria das expectativas racionais, as pensadas. Mas não foi elaborada teoria das expectativas emocionais, sempre as menos controláveis. É incontável o numero de pílulas que a psiquiatria aplica no controle das depressões individuais. Mas não se conhecem pílulas econômicas de cura da desconfiança que se implanta nos povos.
Até lá, milhões sofrem o fim de seus sonhos ou seu bem estar. A decepção e o desencanto são de alto contágio nos dias da internet. Com a quebra da confiança, entrou-se na era da angústia. Shit, numa expressão bem americana.

Publicidade