12/03 - 20:31 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Nahum Sirotsky – Fala-se muito na ameaça iraniana à segurança mundial. Teerã estaria a poucos meses de ter sua primeira bomba atômica. Mas o grande perigo mesmo está no Paquistão, cliente de armas dos Estados Unidos.
O Pentágono, sob o programa chamado de Fundo de Apoio à Coalizão, reembolsa o que o país gasta com armas e pelo seu apoio às operações militares americanas. Já seriam cerca de dez bilhões de dólares desde 200. Mas, segundo trabalho divulgado pelo Conselho de Relações Exteriores, entidade privada, não se confia muito nos generais das Forças Armadas do Paquistão e em seu entusiasmo de lutarem contra os extremistas religiosos.
O Paquistão foi criado em 1947 com a divisão da Índia entre budistas e muçulmanos. Tem cerca de 165 milhões de habitantes, dos quais 95% são muçulmanos, em uma área de cerca de 800 mil quilômetros quadrados. E tem fronteiras com o Afeganistão, Índia, Irã, China.
Preocupações permanentes com a proximidade da Índia, com seu um bilhão e 400 milhões de habitantes num área com cerca de três milhões e 300 mil quilômetros quadrados, uma das duas economias de mais rápido crescimento, potência científica e militar.
O Paquistão testou sua bomba nuclear em 1998, pegando o mundo de surpresa. A Índia tinha testado a sua pouco antes.Tornaram-se potencias nucleares supostamente uma em defesa contra a outra, o chamado poder de dissuasão. A Índia é uma democracia. O Paquistão, apesar de pressionado pelos americanos, ainda é um sistema autoritário sem transparência. Um país em conflito interno e sob ataque de fundamentalistas, os jihadistas, que desejam um governo muçulmano.
Nos dias atuais apenas no Iraque são mais freqüentes os ataques de homens-suicidas que procuram tomar o poder aterrorizando irmãos na fé e estrangeiros. São ataques para fazerem vítimas sem considerarem quantas. A mais cruel das táticas. Mas o país, pela sua localização, foi de estratégica importância nos confrontos indiretos entre Estados Unidos e União Soviética. Pelas suas fronteira com o Afeganistão, a CIA contrabandeava armas e enviava assessores militares em apoio aos muçulmanos que, em táticas de guerrilhas, terminaram por derrotar as tropas russo-soviéticas, que serviam a um governo comunista afegão. Mas, no lugar dos comunistas subiu o Taleban, que implantou um sistema baseado na interpretação literal da shaaria, a lei muçulmana.
O Taleban acolheu um dos heróis da guerra, Bin Laden, um dos 54 filhos de um multimilionário negociante da Arábia saudita. Teria sido o autor do plano de ataque suicida a Nova York e o Pentágono com cerca de quatro mil mortos. Os americanos atacaram o Afeganistão para acabarem com o Taleban e pegarem Bin Laden, que se tornara notório como líder da Al-Qaeda.
O Taleban recuperou-se da derrota e volta a dominar boa parte do Afeganistão. Não se sabe onde está Bin Laden, existindo a versão de que vive disfarçado no Paquistão. Do programa atômico paquistanês surgiu um cientista que se transformou num mercador de conhecimentos e equipamentos para produção da bomba. Ele foi detido com alguns de seus associados, mas se imagina que muitos deles continuem ativos. Há a insistência de que o Irã está próximo de produzir a sua bomba. Mas não existem duvidas da existência de arsenal nuclear do Paquistão, apenas não há certeza do numero de obuses.
Estima-se que na queda da União Soviética, nos arsenais americanos e russos existiam cerca de 65 mil bombas nucleares. Depois de muitos acordos teriam sido reduzidos a um total de 25 mil entre russos e americanos, o bastante para acabar varias vezes com a Terra. Existem estimativas de que os gastos americanos na produção de bombas nucleares chegaram a mais de 5 trilhões de dólares.
Não são conhecidos quanto gastaram os soviéticos, cujo sistema caiu de esgotado. Mas mil seria o numero de bombas nas mãos das potências atômicas menores. As preocupações com o Paquistão resultam do receio de que o Al-Qaeda, ou uma das organizações terroristas em atividade, com seu centro no Afeganistão, consigam a bomba para usá-la numa chantagem ou pra valer. É hipótese considerada por todos os paises.

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