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O dia em que Oswaldo Aranha mudou a história do povo judeu

28/11 - 19:43 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

Nahum Sirotsky, Israel- No dia 29 de novembro de 1947, a Assembléia Geral Especial da ONU, então com menos de 60 países, sob a presidência de Oswaldo Aranha, chefe da delegação do Brasil, aprovou por 33 votos a favor a resolução dividindo o que sobrara do que se chamava Palestina, depois de criado o emirado da Transjordânia, hoje Jordânia, em um território árabe e outro judeu.

Por coincidência, recebi hoje de Alegrete, a terra gaúcha onde ele nasceu, o projeto de Oscar Niemeyer para um magnífico Memorial Oswaldo Aranha que tem rica história de serviços ao país. Ele faleceu em 1960, aos 66 anos de idade. Nas emissoras locais de televisão vê-se Oswaldo Aranha declarando aprovada a partilha. Não é esquecido.

Integrantes da família Aranha, inclusive Guilherme Aranha Coelho, bisneto, estão em Israel a convite do governo para os 60 anos da reunião.

Aranha foi um dos mais antigos e fiéis amigos de Getúlio Vargas, de quem discordou defendendo aliança do Brasil com as democracias na luta contra as forças de Hitler e Mussolini. Venceu o debate e o Brasil ganhou sua primeira importante arrancada para a industrialização.

Na ONU, depois de vivência da política externa como ministro do Exterior e embaixador, Aranha , como chefe de missão chegou precedido de renome como defensor da democracia. Sempre com um cigarro longo nos lábios, o gaúchão do Alegrete sabia ser simpático. Tomava seu chimarrão e escolhia o melhor vinho ou uísque. Conquistou prestigio pessoal, como testemunhei.

A Palestina, sob mandato britânico desde o fim a primeira grande guerra, era palco de choques entre suas populações judaica e árabe, conflitos que vinham do século dezenove. Comissão especial da ONU entendera que a partilha levaria os dois povos a novas relações. Lembre-se que Aranha não participou da formulação do projeto da partilha!

Apenas presidiu ”com brilho e sucesso a reunião”, como declarou em cerimônia na Universidade de Tel Aviv um de seus reitores. Sua habilidade e firmeza foram fundamentais no sucesso de sua presidência da assembléia.

Os judeus, cerca de 500 mil, com o luto do massacre de seis milhões dos seus na Europa pelas forças nazistas de Hitler e Mussolini, aceitaram. Queriam espaço para os sobreviventes. Os árabes rejeitaram. E começou a primeira de muitas guerras desde então. Meses depois, era proclamado o renascimento de Israel como estado judeu, dois mil anos depois destruído de pelos romanos.

Todas as guerras caracterizam-se pelos excessos, a tropas é treinada para matar. Israel, de cada uma delas, saiu com mais territórios e exílio de palestinos. Em 1967, conquistou a parte velha de Jerusalém, dos lugares sagrados do judaísmo, do cristianismo e do Islã. Em 73, o controle de margem do canal de Suez, do Egito, as elevações do Gola, da Síria.

Com o Egito trocou os territórios conquistados pelo primeiro acordo de paz com um país árabe. E o mesmo fez com a Jordânia. Mas ficaram pendentes o conflito com os palestinos, a questão do Gola com a Síria, a soberania sobre Jerusalém. O país que Aranha ajudou a nascer tem hoje seis milhões de judeus e cerca de um milhão e 200 mil árabes israelenses. É potência militar e, relativamente a seu tamanho, econômica. E, acima de tudo, em ciências e tecnologias de vanguarda. Mas ainda não tem paz com seus vizinhos.

Em 2008 deve comemorar 60 anos de existência, apenas não sabe se com festas ou mais lutas e luto.





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