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Correspondente iG: Putin vem ao Oriente Médio depois de pega com americanos

11/02 - 21:29 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, vem ao Oriente Médio dias antes de vencer o ultimato do Conselho de Segurança com o Irã.

Nos próximos dias, ou a questão do Irã entra numa etapa de esfriamento ou terá mais fortes tensões. Na reunião anual sobre segurança internacional, em Munique, Alemanha, no fim de semana, o problema foi indiretamente levantado num bate-boca entre Rússia e Estado Unidos. O iraniano responsável por negociar o problema com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que seu país se dispunha a resolver todas as dúvidas que existiam sobre os objetivos de seu programa nuclear de fins pacíficos e não era uma ameaça a segurança de Israel. Mas não há certeza.

Na reunião, sábado, Vladimir Putin, o presidente russo, acusou os Estados Unidos de ultrapassarem os limites de incentivar “outros paises a obterem armas nucleares” Moscou e Washington vem trocando indelicadezas há tempos.

Os ocidentais não escondem responsabilizar os russos pelos termos frouxos da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, impondo sanções ao Irã para que desista do programa nuclear que se suspeita visar a produção de armas atômicas, supostamente na região de Natanz, no sudoeste do país, conforme a denúncia de 2002 por um grupo iranianos no exílio. Os russos trabalham na construção da primeira central atômica de produção de energia do Irã iniciada antes dos aiatolás subirem ao poder, em 1979. A Rússia teria acordos de fornecimento de várias centrais semelhantes. O Irã insiste querer tais centrais para o seu consumo interno de energia e, com isto, destinar o máximo de seu petróleo e gás para exportar. Suas principais fontes de recursos para pagar por importações de bens de todos os tipos.

O senador americano John McCain, Republicano, herói da guerra do Vietnã, não gostou do que disse Putin que qualificou “palavras mais agressivas de um lider russo desde o fim da ‘guerra fria’ e queda do sistema comunista”. Mas a resposta oficial americana foi a de chamá-las de injustificadas. Robert Gates, o Ministro da Defesa americano declarou que “uma ‘guerra fria’ bastava, como chamadas as relações entre Estados Unidos e a União Soviética na segunda metade do século passado”.

O Irã é zona de interesse direto da Rússia, interesses econômicos e de segurança. Interesses permanentes. E sempre foi um fator de desacordos com as demais potências interessadas na região, como Estados Unidos. Jovem correspondente do jornal “O Globo” nos Estados Unidos, o primeiro jornalista brasileiro a ser credenciado para acompanhar os trabalhos das Nações Unidas, vivi de perto a questão. Durante a Segunda Guerra os países ocidentais aliados a União Soviética haviam concordado num movimento para derrubar Pavlevi I, Xá da Pérsia, que simpatizava com a Alemanha nazista cujas tropas haviam baixado na África do Norte, visando atravessar o deserto, conquistar o Egito a então Palestina, hoje Israel, chegar ao Oriente Médio para conquistar as suas fontes de petróleo e a Índia. E ganhar a guerra mundial, Pavlevi I foi derrubado e substituído por seu filho, Pavlevi II. E por consenso criou-se um novo pais , o Curdistão, em cujo território ficavam as principais reservas petrolíferas do Irã.

Terminada a guerra tornou-se do interesse americano o fim do Curdistão. O petróleo do Curdistão era controlado por empresas petrolíferas anglo-saxãs. Os soviéticos acusaram os americanos de interferência em assuntos internos de outro país como hoje disse Putin. Moscou discordou e ameaçou deixar a ONU. Poderia ser guerra.Vieram da Rússia Molotov, ministro do Exterior, Vishinski, se não me engano, com a autoridade de vice primeiro-ministro,e outros.

Homens de confiança de Stalin, o ditador. O Conselho de Segurança teria de decidir se discutiria a questão. O presidente do Conselho, um senador americano, anunciou que seria o tema do dia. Havia publico de milhares. Jornalistas do mundo inteiro. Era antes da televisão. Silêncio nervoso. Molotov e a comitiva levantam-se e da cadeira de membro permanente do Conselho levantou-se o jovem representante soviético, Gromiko. Pouco depois as emissoras de rádio especulavam se seria guerra. Os jornais saíram com edições extras. Os soviéticos, no final, apenas abandonaram a reunião. Nunca de serem membros da ONU, o Curdistão acabou. Não houve guerra, supondo-se porque os americanos fossem o único poder atômico. Poucos anos depois os soviéticos testavam a sua bomba. A “guerra fria” foram mais de 50 anos nos quais as duas então superpotências tudo fizeram para não entrarem em conflito, que significaria a destruição mútua. Mas os interesses conflitantes permanecem até hoje.





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