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Correspondente iG: A China precisa da Arábia Saudita

05/02 - 10:30 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

ISRAEL - Alberto Tamer, colunista do "Estadão", consegue analisar as mais complexas questões em termos acessíveis a qualquer, num estilo leve e despretensioso. Um mestre. Foi, por exemplo, e ao que saiba, dos poucos deste mundo cada dia mais complicado que chama atenção para decisão da Arábia Saudita de se empenhar por preços mais razoáveis do barril de petróleo.

Sob o título de "Petróleo Não É Mais Arma Política", cita o embaixador saudita em Washington,    Turki al-Faisal, um dos cerca de cinco mil príncipes sauditas, no sentido de que "os preços atuais de petróleo, entre US$ 50 e US$ 53 barril são adequados".

O preço chegou a ser de US$ 77 há poucas semanas. Boa memória, recorda 1973, "ano da grande crise do petróleo provocada pela guerra entre países árabes e Israel". O boicote da exportação de petróleo ao qual o "o Irã, islâmico, mas não árabe, sob ditadura do Xá (rei) da Pérsia, não aderiu". E que agora, a Arábia Saudita "rejeitou os pedidos do Irã e principalmente da Venezuela" por redução  da produção, obviamente, para que os preços fossem mantidos altos.

Então, muito bem informado e atento que é, Tamer destaca que o Irã tem grave escassez de recursos para reformar suas refinarias e outras necessidadesinternas. Só não disse que preços mais baixos   também prejudicam as ambições do venezuelano Chávez com o qual o iraniano Ahmadinejad firmou inúmeros acordos de cooperação.

Chávez toma todas as atitudes possíveis de querer ser o líder dos países da América Latina, o Brasil inclusive. A Arábia Saudita está usando o petróleo como arma no confronto com o Irã que dá indícios que opta por ser potência atômica, com poder para determinar as políticas dos demais países  exportadores, todos árabes. Teerã objetiva destruir Israel e derrubar a influência americana no mundo.

O que Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, de residência desconhecida, qualificou de "Grande e Pequeno Satã", é dever dos fiéis (islamitas) destruir. A Arábia Saudita é o maior poder sunita e o Irã o xita, seitas de problemática coexistência, como demonstrado no Iraque. O choque entre ambos é entre  interesses políticos e econômicos concretos, entre seitas e respectivas posições no mundo islâmico, não se podendo esquecer que Meca, a cidade de nascimento de Maomé, a mais sagrada do Islã, fica na Arábia Saudita.

O Irã está sob sanções das Nações Unidas e tem até o dia 21 corrente para escolher entre atender determinação do Conselho de Segurança para suspender sua marcha para o domínio da tecnologia nuclear ou sofrer sanções mais fortes.

Entre as cinco potências com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, encontra-se a China com  a economia que mais cresce no mundo. E muito dependente do petróleo do Oriente Médio. O jornal "Ásia Times" enfatizava há dias que o Primeiro Ministro chinês, Wan Jiabao, declarou que a Resolução  1737, adotada unanimemente pelo Conselho, "reflete preocupações da Comunidade Internacional sobre a questão nuclear iraniana".

Escrito por Bhadrakumar, ex-diplomata de carreira hindu, o texto coincidiu com a declaração do presidente Bush,  dos Estados Unidos, de que "tudo será feito para evitar que o Irã obtenha armas nucleares e domine a região". A China, escreve, vai pesar direitinho as vantagens e desvantagens da posição que manterá no caso. Os chineses se empenham em manter a imagem de "poder ascendente responsável". Tem grande intercâmbio comercial, tecnológico, econômico e de investimentos com os Estados Unidos, dos quais, aliás, são o maior credor. Ele acredita que estejam perdendo a paciência com a "intransigência de Teerã" no caso da questão nuclear. E identificam maior importância estratégica em suas relações com a Arábia Saudita pois dela recebem  cerca de 17% das atuais necessidades.

Nos próximos sete anos a dependência da China de petróleo do Oriente Médio deve chegar a 75% por cento. É "do interesse chinês a estabilidade do Oriente Médio", em  outras palavras, a da Arábia Saudita na resistência às ambições iranianas, logo, por conseqüência, a de Chávez.  Ideologia e ideologia são uma coisa, interesses concreto são outra. E os chineses são mestres em escolher o melhor, o  país comunista com mentalidade e práticas capitalistas.





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