15/01 - 08:48 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
ISRAEL - Fred Halliday é professor de política internacional da Escola de Economia de Londres (London School of Economics), autor de uns quinze livros sobre sua especialidade, muitos sobre o Oriente Médio. Sua admiração pela religião de Maomé é publica e notória pelos seus escritos e dito.
Por coincidência, o texto dele é argumento de Bhadrakumar, ex-diplomata indú, num artigo para o “Asian Times” com a data de 13 de janeiro passado. Comenta de passagem a aproximação entre Ahmadinejad, o presidente iraniano, com certos governos latino-americanos.
O jornal sempre contém ensaios da melhor qualidade, concordando-se ou não com o conteúdo, aprofunda informações publicas. O presidente iraniano, aliado do presidente Chávez, da Venezuela, foi à posse de Daniel Ortega, da Nicarágua. E andou pelo Equador. E é o inimigo mortal de Israel cujo direito a existir ele rejeita. É o símbolo do mais ferrenho e agressivo anti-americanismo no Oriente Médio, com linguagem semelhante àquela empregada pelo desaparecido Bin Laden, o criador da Al-Qaeda e inspirador do ataque e destruição das Torres Gêmeas de Nova Iorque e parte do Pentágono, em Washington, em 2001.
E fala que as relações entre o Irã, de islamismo radical, e certos segmentos socialistas latino-americanos, teriam objetivos estratégicos. Hallyday chega a levantar a hipótese de que imaginem que a Al-Qaeda, sunita fundamentalista, o Hamas igualmente fundamentalista da seita sunita e forte na Faixa de Gaza palestina, o Hezbollah libanês xiita, a Fraternidade Muçulmana egípcia, ativa no Egito e Ahmadinejad seriam novo modelo de luta anti-imperialista. Ele veria sinais de uma acomodação entre segmentos radicais da esquerda e grupos islâmicos.
O presidente Bush qualificou a sua decisão de reforçar a tropa americana no Iraque, apesar da crescente oposição de seu povo, de “o confronto estratégico ideológico de nossos dias”.
Numa entrevista ao semanário egípcio “el-Osbu”, o presidente Mubarak qualificou a Fraternidade Muçulmana de ameaça à segurança de seu país e que “enfrentaria isolamento mundial se o movimento islâmico se tornar mais poderoso”. Gente sairia do Egito com seu dinheiro, "investimentos seriam suspensos". A Fraternidade tem uma visão religiosa, disse. Seria repetição do que acontece em países sob o domínio da religião como base da política.
O Hezbollah pressiona o governo libanês em manifestações maciças nas ruas de Beirute. O Hamas tem o cargo de primeiro-ministro e demais ministérios na Autoridade Palestina presidida por Abu Mazen, do Fatah, um muçulmano anti-radical.
Mas a preocupação de Bush e aliados é com a hipótese de o Irã chegar a dominar tecnologia da produção de armas nucleares. Aparentemente, por suas palavras e comportamentos, Bush não vê Lula nem o Chile andar pelos caminhos de Chávez . E o Brasil é o País que conta mais do que os demais, como se pensa na capital americana.
Na visão de Bush, tudo pripritários são a batalha no Iraque e como fazer para levar o Irã a desistir do seu aparente objetivo. Chegou a levar um basta da China quando estranhou que empresas petrolíferas chinesas anunciaram planos de investir no Irã, que está sob sanções aprovadas por unanimidade no Conselho de Segurança das Nações Unidas (1737). "A China tem todo o direito de fazer negócios com o Irã e os Estados Unidos não tem o direito de comentar", declararam os chineses.
O teste da 1737 será em março próximo, quando deve se examinar o que fez o Irã para respeitar a resolução que talvez tenha de ser emendada para ter maior peso se para isto houver unanimidade no Conselho de Segurança da ONU. Por enquanto, a estranha amizade entre o sistema iraniano e os países latino-americanos de oposta inclinação não pesa sobre os países que são o poder na ONU. Não cria ansiedade em Washington, porém, é acompanhada muito de perto para que não resultem em atos que prejudiquem de fato os interesses norte-americanos.

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