12/01 - 11:24 - Franklin Martins
O anúncio feito pelo líder Jutahy Magalhães Junior de que o PSDB decidiu apoiar a candidatura de Arlindo Chinaglia consolidou o favoritismo do petista na disputa pela presidência da Câmara. Com os três maiores partidos na casa inclinando-se pelo seu nome, Chinaglia deve colecionar novas adesões nos próximos dias e liquidar a parada.
Nessas circunstâncias, a menção de Aldo Rebelo à batalha de Stalingrado deve ser entendida apenas como um sinal de sua disposição de seguir na luta apesar de todas as dificuldades, e não como o prenúncio de uma reviravolta espetacular no curso da guerra. É pouco provável que, tendo às costas um imaginário Volga no cerrado, Aldo consiga resistir, vencer e desatar uma contra-ofensiva que só vá terminar em Berlim. Faltam-lhe as reservas estratégicas e a capacidade de concentração de tropas e material bélico que permitiram aos soviéticos conquistar aquela vitória decisiva. A menos que, nos próximos dias, aconteçam coisas do arco da velha, o jogo está jogado. Chinaglia deve ser o próximo presidente da Câmara.
A decisão da bancada do PSDB na Câmara, porém, tem um significado que vai além da disputa pelo comando da casa. Ela indica claramente que boa parte da oposição está deixando para trás a tática de terra arrasada que deu o tom das ações de tucanos e pefelistas nos últimos 18 meses, passando a investir no restabelecimento de um clima de normalidade política e institucional, no qual a disputa entre governistas e oposicionistas, por mais dura que seja, obedeça a certas regras aceitas pelos dois lados.
É assim que deve ser compreendida a argumentação do líder Jutahy Junior de que a decisão do PSDB de apoiar Chinaglia fundamenta-se no respeito ao princípio da proporcionalidade, tradicionalmente adotado na composição das mesas diretoras das casas legislativas e descartado na eleição de Severino Cavalcanti. Ou seja, a posição da bancada decorre mais de um opção pela distensão institucional do que de motivações políticas episódicas. O fato de que, nos bastidores, as duas principais estrelas do partido, os governadores José Serra e Aécio Neves, tenham trabalhado pelo retorno à normalidade é um sinal de que essa inflexão veio para ficar.
Também é sintomático que, dentro do PSDB, as críticas mais fortes a Jutahy tenham partido de parlamentares ligados ao ex-presidente Fernando Henrique e ao ex-governador Geraldo Alckmin. Ambos ainda podem se dar ao luxo de fazer política olhando para trás, enquanto Serra e Aécio, até pela posição que ocupam, estão obrigados a mirar para frente.
Seja como for, a mudança de comportamento de boa parte dos tucanos é uma questão política de primeira grandeza. Não só as relações internas dentro do PSDB passarão por uma certa tensão nos próximos meses, como também as relações entre o PSDB e o PFL tendem a ser afetadas. O retorno à normalidade, depois de quase dois anos de esfola-e-mata, não é uma trivialidade. E não se fará sem baixas.
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