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Chinaglia obtém uma vitória decisiva no PMDB

10/01 - 10:53 - Franklin Martins

Com a decisão do PMDB de ontem, Arlindo Chinaglia passou a ser o favorito na disputa pela presidência da Câmara. Muita gente apostava que a reunião não daria em nada, fosse pelo quorum baixo, fosse pela tradicional divisão dos deputados pemedebistas. A surpresa foi dupla.

A participação na reunião foi alta: 64 dos 90 integrantes da bancada. Para um período de recesso, ainda mais no início de uma nova legislatura, um quorum de mais de 70% é muito expressivo. Além disso, o clima da reunião foi bastante tranqüilo, sem as tradicionais trocas de acusações à saída. É claro que o PMDB não votará unanimente em Chinaglia, mas tudo indica que, para os padrões usuais do partido, ele marchará razoavelmente unido na questão. Em conversas reservadas, alguns caciques avaliam que hoje, grosso modo, o placar seria de 65 a 25 a favor do petista. 

O fato é que se criou um ambiente político novo na disputa, bastante favorável ao candidato do PT. Embora Aldo tenha reagido à decisão do PMDB dizendo que vai até o fim, sua situação complicou-se. A partir de agora, crescerão as pressões para que ele jogue a toalha.  Nos próximos dias, vários partidos da base governista oficializarão o apoio a Chinaglia. Tudo indica que, no limite, Aldo contará, dentro da coalizão, apenas com o endosso do PCdoB e do PSB. É pouco. 

Além de pescar deputados isolados aqui e ali na base governista, restará ao deputado do PCdoB a alternativa de reforçar sua candidatura entre os partidos da oposição. O PFL já está oficialmente com ele. E é provável que ele consiga atrair a maioria do PSDB, onde o sentimento anti-PT é muito forte. 

Mas, mesmo entre os tucanos, há importantes lideranças pregando o respeito ao princípio da proporcionalidade na composição da Mesa da Câmara: o presidente deve ser indicado pela maior bancada da casa. O critério favorece Chinaglia, formalmente lançado pelos dois partidos com mais deputados. Tudo somado, abriu-se uma avenida diante de Chinaglia e os caminhos começaram a se fechar à frente de Aldo. 

Alguns analistas avaliam que a decisão do PMDB foi uma derrota de Lula. Outros dizem que o Palácio do Planalto mexeu seus pauzinhos a favor de Chinaglia. Ambas interpretações não se sustentam em fatos. Embora seja razoável supor que, a curto prazo, para Lula, a vitória de Aldo teria a vantagem de não acirrar os ânimos da oposição no início da legislatura, o Palácio do Planalto não interveio na decisão de ontem. Até porque, a seus olhos, tanto Chinaglia quanto Aldo são boas soluções para o problema. O ruim é a divisão da base governista. 

Por último, cabe destacar três fatos. Primeiro, a decisão do PMDB mostrou que o PT não está tão isolado na Câmara como muita gente imaginava. Ao contrário, conserva razoável margem de manobra e boa capacidade de intervenção. 

Segundo, por incrível que pareça, depois de mais de quatro anos de seguidas divisões, a bancada do PMDB na Câmara parece ter aprendido a importância da unidade. Ela é indispensável para a volta dos deputados do partido para o jogo político, deixando de ser peões no xadrez dos caciques pedemebistas do Senado. A curto prazo, Aldo pode ter sido o maior derrotado ontem. A longo prazo, a conta deverá ser pendurada no cabide ali em frente, o cabide de Renan Calheiros. 

Além disso, as cúpulas dos grandes partidos na Câmara estão em busca de uma certa normalidade perdida. Depois de mais de dois anos de mingau institucional, em que o peso dos líderes foi desidratado, os partidos esfrangalhados e os costumes atropelados, tudo que os caciques querem é ver a casa funcionando de modo previsível e razoável.  De certa forma, a decisão do PMDB é um reflexo desse sentimento. 

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