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Queda do Muro de Berlim não foi o fim da história

06/11 - 09:11 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Estamos em uma maratona de celebração dos 20 anos da queda do muro de Berlim. Mas a história não terminou quando o muro caiu e o comunismo soviético ruiu. Francis Fukuyama errou ou ao menos se precipitou na previsão. No seu ensaio clássico "O Fim de História", de 1989, ele argumentou que nenhum sistema com credibilidade sobreviveria ao modelo político e econômico praticado pelos EUA e outros países ocidentais. Para Fukuyama, a história passaria a ser uma corrida dos países para recuperar o tempo perdido e concretizar o modelo vitorioso. Afinal, por esta visão, a queda do muro em 9 de novembro de 1989 simbolizou o triunfo da democracia liberal do livre mercado sobre seu último rival ideológico, o comunismo.

 

Duas décadas depois e o mundo se cicatrizando de uma crise econômica gravíssima, floresce o debate se existe uma nova competição, com sólidos regimes autoritários apregoando e de fato oferecendo prosperidade e segurança. Este novo modelo incorporou os componentes econômicos essenciais dos vitoriosos (mas não os políticos) e se forjou como o capitalismo autoritário praticado por excelência pela China, e, com menos autocofiança, pela Rússia, países de revoluções comunistas no século 20.

Numa maquinação perversa, China e Rússia adotaram uma forma mais eficiente de autoritarismo, e provavelmente mais popular que nos tempos da Guerra Fria. O muro caiu e houve a adoção quase universal do capitalismo, mas não da democracia ao estilo liberal. Basta ver que mesmo em países da Europa Oriental que tanto celebraram a queda do muro e o fim do domínio soviético, existe em amplos setores uma nostalgia dos velhos tempos, quando não havia liberdade mas o básico de bem-estar social era garantido.

Já em partes da Ásia, África e em mais próximos rincões bolivarianos, o modelo chinês é uma fonte de inspiração, visto como alternativa ao receituário ocidental, desmoralizado com a encrenca econômica global.

A boa notícia é que este novo modelo não pode assumir um tom triunfalista, apesar de sua autoconfiança. Não é fim da história, ainda não dá para saber se a estrutura de poder autoritário, em particular na China, poderá sobreviver com uma sociedade mais sofisticada e dinâmica. Basta ver que na Ásia, alguns países bem sucedidos e hoje democráticos, como Coréia do Sul e Taiwan, mostram que depois de algum tempo prosperidade não quer andar de mãos dadas com autoritarismo.

No caso da Rússia atual, embora possa exibir sinais de restauração de glórias passadas, ela é bem menos poderosa do que a antiga União Soviética. E outros dois países-chave no mundo emergente estão no campo solidamente democrático. Um é a Índia. Preciso dar o nome do outro? Ambos podem ser um exemplo alternativo para o mundo em desenvolvimento e não a China.

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