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Eleições picadinhas são mal digeridas por Obama

05/11 - 08:17 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK-  Existe uma orgia de análises sobre eleições picadas realizadas terça-feira nos EUA, mas não é possível fazer uma comoção federal sobre os resultados. É verdade que o picadinho saiu mal passado para o presidente democrata Barack Obama. Ele tem dificuldade para digerir os votos, especialmente quando gostaria de estar celebrando com um banquete de marketing um ano de sua eleição histórica.

 

A oposição republicana recebeu uma vitamina moral (e em menor escala política) com as vitórias dos seus candidatos a governador nos estados de Virgínia e Nova Jersey. Vale insistir que neste tipo de pleito, os fatores locais e o peso dos candiidatos valem muito mais do que uma avaliação sobre o primeiro ano da era Obama.

Muitas vezes, porém, é dificil separar o local do federal. Se, de um lado, é exagero dizer que as eleições foram um referendo sobre o governo Obama; de outro, é preciso admitir que os eleitores transmitiram uma mensagem de alerta  Existe um clima generalizado de desencanto no país, com o quadro econômico, a explosão do déficit e as promessas não cumpridas do grande orador Barack Obama.

O presidente está tendo dificuldades para consolidar a coalizão armada no ano passado, que atraiu independentes. Nestes pleitos em Nova Jersey e Virgínia, eleitores independentes (que muias vezes são conservadores desiludidos) se bandearam para os republicanos. Ademais, os setores mais conservadores se mostram muito aguerridos e mobilizaram suas bases com mais intensidade. Não houve a mesma motivação do lado democrata. Isto mostra que a mágica Obama não é facilmente transférivel, o que pode prenunciar problemas para os democratas nas eleições de 2010, quando estarão em jogo todas as cadeiras da Câmara e 1/3 do Senado.

Há, porém, um alerta também para os republicanos. Curiosamente, a eleição que mais chamou atençào foi no remoto distrito 23, convocada para uma repor uma cadeira de deputado no estado de Nova York, numa região que faz fronteira com o Canadá. É o fim do mundo, mas se tornou o centro dos debates políticos. Setores mais conservadores se insurgiram e resolveram endossar um candidato realmente de direita que nem concorria pelo partido. Deu confusão e cisão. A prória candidata republicana caiu fora da corrida e endossou o democrata. Este democrata acabou ganhando num distrito que era feudo republicano desde o século 19. A lição para os republicanos é o perigo de um desvio excessivo para a direita, o que seria mal digerido pelos eleitores.

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