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Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Um ano da eleição de Barack Obama e não temos motivos para grandes comoções, decepções ou celebrações neste 4 de novembro. Nada tão surpreendente na era Obama. No poder, ele é basicamente o que apregoou na campanha em termos pessoais e profissionais. Claro que o presidente é um liberal, mas não de uma escola revolucionária. Usando um palavrão, Obama é um incrementalista.
Por instinto e formação (aqui se deve entender que liberal significa esquerdista no ideário americano), ele acredita que o Estado pode fazer bem. A crise econômica deu mais espaço para o ativismo governamental, mas nada na escala paranóica denunciada por conservadores que embarcaram numa cruzada populista contra o presidente que eles consideram socialista ou nacional-socialista. Esquerdistas também forçam a barra. Dizem-se frustrados com as concessões de Obama aos tubarões de Wall Street e sua relutância para implantar uma agenda progressista. De novo, Obama talvez tenha carregado um pouco na oratória de campanha, mas trabalha dentro de uma realidade circunscrita.
Obama é um politico pragmático e conciliatório. Isto não impediu que amainasse a polarização política. Basta ver como ele atua nas excruciantes negociações sobre a reforma da saúde. Prefere limitar as ambições de reforma em troca de alguns parcos votos republicanos. Obama é um político, não um santo ou um cavaleiro alado da esperança. De qualquer forma, cai do cavalo. Para uns, ele não passa de um ingênuo com sua papagaiada de reconciliação global ou fim das divisões partidárias dentro dos EUA. Para outros, é um cínico, manipulador de expectativas.
Para mim, Obama é um presidente decente, enfronhado em dilemas da pesada como o Afeganistão, uma crise que ele simplesmente não pode ignorar. Seu processo deliberativo sobre o envio de tropas adicionais ao Afeganistão é visto como prova de indecisão por críticos conservadores. Mas o que eles queriam? George W. Bush precisava provar que era um destemido homem de decisões. Tomava decisões erradas em questão de segundos sem refletir muito ou simplesmente sem refletir.
A casa não caiu com Obama. Neste final de 2009, o país se afastou do precipício econômico, no qual se encontrava na época de sua eleição em 4 de novembro passado. É um alívio, mas não muito mais do que isto. Em política externa, nada muito impressionante. O Prêmio Nobel da Paz, a ser recolhido em dezembro, é constrangedor
Obama prometeu um novo engajamento com o mundo. A imagem americana é melhor no exterior, mas resultados concretos não são muito frutíferos. Um presidente meio idolatrado pelo mundo não está fazendo muito e mostra-se incapaz de persuadir países estrangeiros a se moverem na direção do tal bem comum. Além dos dilemas no Afeganistão (agravados pelo fiasco da reeleição de Hamid Karzai), temos o aprofundamento da crise paquistanesa, os iranianos tratando os americanos (e o mundo) como idiotas com as enrolações nas negociações nucleares, China e Rússia sem apetide para concessões substantivas, israelenses e árabes fazendo trapo da costura diplomática da Casa Branca no Oriente Médio e a impotência do presidente para convencer o seu próprio Congresso a derreter a resistência contra um pacto global em mudanças climáticas.
Mais perto do Brasil, temos a crise em Honduras. Houve uma mudança de paradigma, com os EUA desta vez sem um alinhamento automático no seu quintal com um golpinho conservador e quem sabe o ativismo diplomatico norte-americano dos últimos dias resolva este impasse sobre quem manda no país. Mas, cá entre nós, como uma crise hondurenha se converteu no epicentro do jogo hemisférico? Nos EUA, o imbroglio em Tegucigalpa não está no radar neste balanço do primeiro aniversário de uma eleição histórica, que resultou em um governo mediano.
Sendo generoso, Obama merece uma nota 6, um pouco acima da sua taxa de aprovação popular. Obama, por enquanto, é um presidente decente, não muito mais.
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