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Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Na quarta-feira, primeiro aniversário da eleição triunfal de Barack Obama, a oposição republicana espera celebrar com as derrotas dos democratas nesta terça-feira nas eleições para governador nos estados de Nova Jersey e Virgínia. Competições locais não deveriam gerar grandes comoções exceto para os habitantes locais (eu, por exemplo, vivo em um subúrbio na imensa área metropolitana de Nova York que fica no estado de Nova Jersey). No entanto, existe uma obsessão para medir Obama quase que diariamente e qualquer coisa se converte em um referendo sobre o presidente.
Claro que Obama não se preocuparia se os democratas tivessem garantidas estas duas eleições para governador. Em primeiro lugar, isto está longe de acontecer e, em segundo, a taxa de aprovação do presidente está derrapando (embora ainda seja saudável na faixa dos 50%) e existe um sentimento generalizado de desencanto. A mágica acabou e Obama, de fato, tem motivos para se preocupar caso se faça muita onda com estas votações locais.
Em Nova Jersey, é uma disputa marcada por comerciais negativos entre o governador democrata Joe Corzine e o desafiante republicano Chris Christie. Corzine tem a infelicidade de ser ex-banqueiro e ex-senador (duas profissões não muito populares hoje em dia) e Christie tem a felicidade essencial de não ser Corzine. Nova Jersey está sofrendo bastante com a crise econômica e seus impostos são muito salgados para a média nacional (eu que o diga). O estado nos últimos anos se tornou solidamente democrata, mas a disputa entre Corzine e e Christie está acirrada. Não dá para fazer prognóstico.
Virgínia fez história em 2008: pela primeira vez desde 1964 seus eleitores votaram em um candidato presidencial democrata. Isto não vai acontecer nesta terça-feira no pleito para governador, pois o republicano Bob McDonnell tem vantagem folgada sobre o democrata Creigh Deeds. Na Virgínia, a Casa Branca já está resignada com a derrota democrata, enquanto mobilizou recursos (e o próprio Obama de cabo eleitoral) para tentar o resgate de Corzine em Nova Jersey.
Perder nos dois estados será chato para Obama. Já para os republicanos, será uma injeção de moral, depois das perdas nas eleições para o Congresso em 2006 e para Casa Branca e de novo Congresso em 2008. Aliás, se vencerem nos dois estados nesta terça-feira, os republicanos vão dizer que os resultados sinalizam tendências para as eleições no Congresso em 2010, quando estarão em jogo todas as cadeiras da Câmara e 1/3 do Senado.
Já os democratas esperam que 2009 será um repeteco de 1981. No ano anterior, fora a a histórica eleição presidencial do republicano Ronald Reagan. Em 1981, os republicanos conseguiram uma vitória suada na eleição para governador em Nova Jersey, enquanto os democratas arrebataram Virgínia pela primeira vez em mais de uma década. No ano seguinte, 1982, os republicanos perderam cadeiras no Congresso (como costuma acontecer com o partido do presidente no meio de mandato). No entanto, Reagan conseguiu um segundo mandato de forma estrondosa em 1984.
O ícone conservador é o referencial de Obama para 2012.
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