14/07 -
07:24
-
Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Os japoneses esperam que o pior da mais séria crise econômica no país desde a Segunda Guerra Mundial já tenha passado. Mas na política, o pior ainda está por vir para o Partido Liberal Democrático (PLD), do primeiro-ministro Taro Aso. O PLD é praticamente sinônimo de poder no Japão pós-guerra (ainda segunda economia do mundo) e, no entanto, caminha para uma derrota histórica.
Taro Aso anunciou o plano para antecipar as eleições gerais na Câmara Baixa do Parlamento, que seleciona o primeiro-ministro, para 30 de agosto, depois que a coalizão governista chefiada pelo PLD tomou uma lavada nas eleíções municipais em Tóquio no domingo. A oposição já controla a Câmara Alta e nada indica que o PLD possa evitar a derrota na Câmara Baixa, apesar de alguns tênues sinais de recuperação econômica, graças aos pacotes de estímulos do governo.
Existe letargia econômica no Japão há duas décadas e isto reflete cada vez mais no modo de operação do conservador e fisiológico PLD: em quatro anos, uma sucessão de primeiros-ministros ineficientes, falta de idéias e complacência. A oposicao centrada no Partido Democrático do Japão (PDJ) não é grande coisa. Assim como o partido governista, ela carece de líderes palpitantes e amarga seus próprios escândalos de corrupção e de financiamento de campanhas eleitorais. Mas o eleitor está menos passivo e precisa de um canal para protestar.
Em cinco eleições locais nas últimas semanas, o PDJ deu um baile no PLD e, sintomaticamente, o comparecimento às urnas aumentou de forma expressiva. O PDJ não tem plataformas muito consistentes, além de prometer melhorar as coisas e combater o desperdício de dinheiro público. O PLD, porém, é muito pior. Não consegue superar seu surrado clientelismo, que perdeu o oxigênio nesta letargia econômica.
A popularidade do PLD tem caído ao longo dos anos e o partido apenas conseguiu uma sobrevida com as promessas reformistas de Junichiro Koizumi em 2001. Os governistas caminham aos trancos e barrancos, cooptando partes de movimentos à esquerda e à direita, mas realmente perdendo o pique para preservar sua fórmula. Sem vigoroso crescimento econômico é bem mais difícil para o PLD redistribuir a riqueza gerada nas partes mais dinâmicas da economia (em particular nas cidades) para seus currais eleitorais na zona rural.
O primeiro-ministro Taro Aso pode estar à beira de cometer um haraquiri eleitoral (com o incentivo de setores rebeldes de sua agremiação), mas nos últimos anos o atestado de óbito do PLD foi várias vezes assinado prematuramente. Uma jogada cínica pode estar em andamento. Os governistas vão entregar o poder à oposição na expectativa de que ela afunde. Isto aconteceu por um breve período de 11 meses em 93/94 (a única vez em que o PLD não esteve no poder nos últimos 53 anos). A oposição não aguentou o rojão e o PLD deu a volta por cima. O problema é que o Japão está indo para baixo.
Publicidade