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A rainha do noticiário com o príncipe Obama e o rei do pop Michael Jackson

13/07 - 01:26 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Quem resiste a Sarah Palin? Nos EUA, não há como evitá-la. Ela divide o noticiário com Michael Jackson e Barack Obama. Para quem se esqueceu aí no Brasil, ela é a governadora do Alaska, elevada ao estrelato desde que o senador republicano John McCain a selecionou, numa jogada de desespero, para ser companheira de chapa nas eleições do ano passado, vencidas por Obama.

McCain perdeu, mas Palin está com a corda toda (ou o anzol), graças à sua relação doentia com a imprensa, que ficou ainda mais bizarra desde que ela anunciou em declarações incoerentes no último 3 que vai renunciar ao seu emprego de governadora. Existe uma indústria empenhada em decifrar se isto significa o lançamento da campanha às eleições presidenciais de 2012 ou sei lá o que (ela fugiu da raia, quer ganhar dinheiro ou ficar na televisão). Sara Palin vai pescar salmão e fica todo mundo tentando pescar qual é a dela.

A revista "Time" coloca Sarah Palin na capa como "A Renegada"". Outros acham que ela é uma idiota, inclusive gente do alta escalão republicano. Mas todos mordem a isca e ninguém tira a pescadora de salmão do estrelato. Diva paranóica ou líder de um movimento populista de direita? Ao estilo da Princesa Diana, Sarah Palin é obecada pela imprensa, se diz vítima de jornalistas e os utiliza para uma infernal campanha de autopromoção. Reclama que a imprensa e os comediantes perseguem sua família, mas ela a colocou para desfilar na avenida política. Até o garotão que é o pai do filho da filha adolescente de Sarah Palin virou celebridade do quilate BBB

Sarah Palin é a figura que mais polariza nos EUA. Com a quase ex-governadora, o negócio é visceral, emocional. Ignorante e instintiva, ela investe contra as elites liberais. Com seu discurso, Sarah Palin é porta-voz de um movimento de ressentidos, da gente que perdeu o bonde para o século 21 e se sente discriminada diante das minorias beneficiadas por cotas raciais e que adoram Barack Obama. A base de Sarah Palin é a América branca, mais religiosa, menos educada, mais interiorana e muito desconfiada de um governo cada vez mais atuante na economia em razão da crise econômica. Sarah Palin é a "big sister" para quem acha que Obama é um sinistro "big brother".

Caciques republicanos fazem as contas e calculam que com Sarah Palin a causa eleitoral de 2012 será perdida. Ela tem esta base, talvez suficiente para faturar as primárias, mas não as eleições gerais. A história e a demografia estão contra Sarah Palin e a favor do tubarão Obama. Com ela, os republicanos vão pescar o fiasco.

Obviamente, nem sabemos se Sarah Palin vai participar do leilão eleitoral. O fato é que ninguém no Partido Republlicano tem o seu magnetismo e se houver a recuperação econômica Obama será imbatível. Mas se o desemprego continuar em alta e o déficit fiscal se tornar simplesmente atroz, haverá espaço para os republicanos. A oposição tem três anos para encontrar uma Sarah Palin que entusiasme o país sem ser esta Sarah Palin.





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