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Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- O presidente chinês Hu Jintao foi embora antes mesmo do começo da reunião para cuidar da explosão étnica dentro de casa, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi insistiu em sediar o encontro em Áquila, a região devastada pelo terremoto em abril, em uma metáfora adequada sobre os problemas da economia mundial e os abalos constantes à imagem do próprio dirigente e existe a ladainha de que o convescote anual perdeu a relevância.
Sejam malvindos à cúpula do G8. Se os dirigentes globais tiverem bom senso devem entoar o canto do cisne para este encontro malfadado. Calma, não se trata de entoar em tom de barítono a reinvindicação lulista e de outros emergentes de que o G8 morreu, viva o G20.
Não existem dúvidas de que na esteira da encrenca econômica global, o G20 tem ao menos a virtude de incluir como membros plenos países como o Brasil, China e Índia, numa configuração mais realista sobre a ordem (ou desordem) mundial. Mas ainda assim é um grupo desajeitado. Ponto elementar: uma reunião do G20 jamais tomará decisões efetivas sobre política internacional (é difícil separar política de economia), pois carece de uniformidade institucional. Alguns integrantes do G20 são plenas democracias, outros são plenas ditaduras e alguns são russos. Um G20 não tem como chegar a um consenso sobre uma crise da conjuntura que é a repressão no Irã. E, de qualquer forma, mesa grande é muito barulhenta, o que dificulta uma conversa porodutiva. Talvez um G14 dedicado exclusivamente à economia faça sentido.
Na raiz, o G8 (que começou como G5) fazia sentido. A ideia era uma reunião informal dos líderes dos países mais ricos. Está bem que era um clube elitista e lento para aceitar os novos ricos, mas não tinha a pretensão de adotar falsas decisões históricas. O G8 se converteu em uma assembleia monstruosa com milhares de burocratas, manifestantes, agentes de segurança e o circo da imprensa. Vive de produzir imensos comunicados, onde as vírgulas são negociadas, mas pouco substantivos.
Obviamente, o mundo das informações vertiginosas e no qual crise num rincão se dissemina rapidamente por todas as partes exige consultas permanentes entre os dirigentes e a busca de acordos. Mas os contribuintes globais e os jornalistas poderiam ser poupados do excesso de cúpulas. Silvio, o extravagante neoimperador, não deixou por menos. Para esta festa do G8 convidou 39 chefes de Estado, de governo e de instituições internacionais. Perdão, Áquila ficou menos congestionada. São 38. O chinês veio, não viu e voltou.
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