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O aiatolá Twitter e o futuro da crise iraniana

23/06 - 08:14 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - Como eu e você interessados na crise iraniana, o pessoal da CIA deve estar coletando muita informação sobre os eventos nas redes de televisão, na blogosfera, no Youtube e com o aiatolá Twitter. Não deve ser uma grande surpresa, mas estamos diante de mais um espetacular acontecimento histórico que confirma os limites dos serviços de inteligência. Aliás, cinco meses antes da queda do xá Reza Pahlevi, em 1979, a CIA avaliou que o Irã ainda não se encontrava em um estágio pré-revolucionário.

 

Nesta era de hiperinformação (caótica e instantânea), tanto os serviços de inteligência, como a imprensa, perderam o bonde (ou o trem-bala) em Teerã. A mesma constatação foi feita meses atrás quando explodiu a crise econômica global. Analistas e a imprensa financeiras não prenunciaram a avalanche. Economistas como Nouriel Roubini e jornalistas como Gillian Tett (do "Financial Times") captaram os sinais, mas foram honrosas exceções.

No caso do Irã, os lapsos dos serviços de inteligência em parte são explicados pelo foco no programa nuclear e não na estabilidade do regime islâmico. Pelas informações na imprensa israelense, o lapso se estende até ao supostamente infalível Mossad. Quem sabe, nem o aparato de inteligência do regime islâmico tinha uma idéia sobre os desdobramentos das controvertidas eleições de 12 de junho, com os protestos populares e o racha no topo da pirâmide.

O trabalho de inteligência fica mais penoso quando os acontecimentos não envolvem a contagem de tanques e centrífugas, mas intenções de líderes políticos, resultados eleitorais e o estado de espírito da população. Basta ver que os serviços de inteligência de Israel não anteciparam o alcance da primeira Intifada (a insurreição palestina), em 1987.

Como no caso da crise econômica, é possível reunir os dados e desenhar um cenário de que dia menos dia, a máquina vai encrencar. A dificuldade óbvia é acertar na mosca. Era possível avaliar que a situação no Irã estava se tornando intolerável com o sufoco social, delírios geopolíticos de uma ala do regime, crise econômica e preocupação de setores mais sensatos da elite com os rumos da revolução islâmica. Mas não dá para prever o ponto de explosão. E mesmo depois que o trem-bala da crise parte da estação, o desafio de apontar o rumo é imenso. Na semana passada, David Brooks escreveu no "New York Times" que "o futuro curso dos eventos no Irã é maximamente incerto".

Brooks citou Michael McFaul, um professor da Universidade de Stanford e um dos maiores especialistas nos espetaculares eventos que levaram à desmontagem do bloco soviético há duas décadas. "Em retrospecto, todas as revoluções parecem inevitáveis. De antemão, todas as revoluções parecem impossíveis".

Vamos seguindo o aiatolá Twitter, mas é pouco para entender e prever o rumo dos acontecimentos no Irã.

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